Decisão Copom Lula: o que esperar da Selic

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Decisão Copom Lula: o que esperar da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (4) sua primeira decisão sobre a taxa Selic após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa predominante entre agentes econômicos é de manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de flexibilização monetária iniciado em agosto. A decisão será observada de perto por empresários e comerciantes de Araçatuba e região, que dependem do custo do crédito para investir e manter seus negócios.

A semana que se seguiu à reeleição levou a Bolsa à pior queda semanal desde março de 2020, empurrando os juros futuros para cima e elevando a pressão sobre o Banco Central. O tombo começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, quando o Ibovespa acionou o circuit breaker.

O índice emendou cinco sessões de queda e encerrou outubro com o pior desempenho mensal desde junho de 2022. Esse cenário de aversão a risco reflete a incerteza sobre a política econômica do novo governo e reforça a aposta em manutenção da Selic.

Mercado precifica manutenção da taxa

Nas opções de Copom negociadas na B3, a probabilidade de manutenção da Selic, minoritária antes da eleição, chegou a perto de 70% no fechamento de quinta-feira (29), contra cerca de 30% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual. Os contratos embutem até apostas residuais em alta dos juros, sinalizando que o mercado passou a considerar um cenário mais conservador para a política monetária. Antes do segundo turno, a discussão se concentrava em quantos cortes adicionais o Copom ainda faria, lembra Leandro Padulla, economista do ASA.

“Agora, o debate passou a incluir a possibilidade de interrupção imediata do ciclo de flexibilização monetária”, diz.

Para o comércio do interior paulista, a manutenção da Selic em patamar elevado significa crédito mais caro para capital de giro, financiamento de estoques e investimentos em expansão. Pequenas e médias empresas, que dependem de linhas de crédito com juros atrelados à Selic, podem adiar planos de contratação e modernização. A decisão do Copom, portanto, terá efeito direto na atividade econômica local.

Pressão política e leitura do BC

João Peixoto, CEO da Ouro Preto Investimentos, não vê motivo para o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afrouxar a política monetária no curto prazo. “Se ele não fez antes para beneficiar Lula, agora tem menos motivo para fazer”, diz. A declaração reflete a percepção de que o Banco Central manterá sua independência e focará no combate à inflação, mesmo diante de pressões políticas. Na segunda-feira, Lula se reuniu com os ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Bruno Moretti, do Planejamento, para tratar da política fiscal e da composição da equipe.

Até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio sobre a nova equipe econômica.

A indefinição sobre a equipe econômica e a política fiscal é um dos principais fatores de incerteza para os mercados. Empresários da região noroeste paulista acompanham com atenção os desdobramentos, pois a sinalização fiscal do governo pode influenciar as expectativas de inflação e, consequentemente, a trajetória dos juros. Uma política fiscal expansionista, sem contrapartidas de controle de gastos, tende a manter a Selic elevada por mais tempo.

Projeções apontam juro alto no mandato

Alexandre Muller, CIO da Leto Capital, projeta Selic média de dois dígitos ao longo de todo o novo mandato. “Essa matriz econômica que o governo escolheu vai produzir juro alto, não tem como fugir disso”, aponta. A declaração sugere que o custo do crédito permanecerá elevado nos próximos anos, impactando o planejamento financeiro de empresas e consumidores. Para o comércio varejista, juros altos reduzem o poder de compra das famílias e encarecem o parcelamento, afetando diretamente as vendas.

O comunicado do Copom deve indicar se a porta fica aberta para a reunião de dezembro, a última do ano. Até a decisão, a agenda inclui as projeções do boletim Focus, divulgadas excepcionalmente nesta terça-feira por causa do feriado, e os dados de emprego formal do Caged, que saem na quarta. Esses indicadores fornecerão pistas sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho, elementos que o Banco Central considera em suas decisões.

Impacto no comércio regional

Para empresários de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, a manutenção da Selic em 13,75% representa um desafio adicional em um cenário de demanda ainda fragilizada. O crédito mais caro dificulta a renovação de estoques e a aquisição de máquinas e equipamentos, especialmente para indústrias calçadistas e do agronegócio, setores relevantes na região. A decisão do Copom, portanto, será acompanhada com expectativa por entidades como ACIA, CDL e sindicatos patronais.

Além disso, a alta dos juros futuros já observada após a eleição encarece o financiamento de longo prazo, como o BNDES e linhas de investimento. Isso pode postergar projetos de expansão e modernização, reduzindo a geração de empregos formais. Os dados do Caged, divulgados na quarta, darão uma dimensão do impacto no mercado de trabalho local e nacional.

A decisão do Copom desta quarta-feira será um divisor de águas para a política monetária sob o novo governo. A manutenção da Selic, se confirmada, sinalizará que o Banco Central está atento aos riscos inflacionários e à deterioração das expectativas. Para o setor produtivo, a mensagem é clara: o custo do dinheiro continuará alto, exigindo cautela e planejamento financeiro rigoroso.

Perguntas Frequentes

Qual é a probabilidade de manutenção da taxa Selic na primeira decisão do Copom após a reeleição de Lula?

Nas opções de Copom negociadas na B3, a probabilidade de manutenção da Selic chegou a perto de 70% no fechamento de quinta-feira (29), contra cerca de 30% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual.

Como o mercado reagiu na semana seguinte à reeleição de Lula?

A semana que se seguiu à reeleição levou a Bolsa à pior queda semanal desde março de 2020, com o Ibovespa acionando o circuit breaker na segunda-feira (26) e encerrando outubro com o pior desempenho mensal desde junho de 2022.

O que os economistas esperam para a trajetória da Selic no novo mandato de Lula?

Alexandre Muller, CIO da Leto Capital, projeta Selic média de dois dígitos ao longo de todo o novo mandato, afirmando que ‘essa matriz econômica que o governo escolheu vai produzir juro alto, não tem como fugir disso’.

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