Eleições 2026: ativos brasileiros disparam no mercado

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Eleições 2026 mercado: ativos brasileiros disparam

O mercado financeiro brasileiro iniciou a sessão desta terça-feira (8) em forte alta, refletindo um movimento de otimismo com o cenário eleitoral de 2026. Investidores reagem a pesquisas que apontam empate técnico no segundo turno entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, e a gestoras que passam a incrementar posições em ativos locais.

O Ibovespa avança aos 189 mil pontos, o dólar cede a R$ 5,08 e as taxas do Tesouro Direto operam em queda. O chamado “trade eleitoral” fica evidente mesmo com um cenário externo adverso, marcado pela alta do petróleo Brent rumo a US$ 100 e pela queda das bolsas americanas.

Pesquisas acirradas mudam humor do mercado

O mercado iniciou o mês passado à espera da temida volatilidade que costuma anteceder as eleições, mas a cautela rapidamente deu lugar a um certo otimismo após pesquisas de intenção de voto mostrarem uma disputa mais acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.

Nesta terça, a Quaest mostrou empate no segundo turno, e a BTG/Nexus trouxe o primeiro efeito da crise no Supremo Tribunal Federal, com Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno. A reação dos preços foi imediata, com forte apreciação dos ativos brasileiros.

Para a Quantitas Asset Management, o imbróglio no STF envolvendo a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, além do caso Lulinha, são mais benéficos à candidatura de Flávio. Por isso, levando em conta a reação das pesquisas, “é razoável atribuir a Flávio Bolsonaro, pelo menos, 50% de chance de vitória, com viés de alta”.

Gestoras e bancos ajustam posições

O trade eleitoral fica evidente e gestoras incrementam posições em Bolsa e juros – enquanto o BofA eleva a Bolsa local a compra e o JPMorgan, que rebaixou recomendação para ações, passa a apostar no real.

O Bank of America acaba de elevar a recomendação para ações brasileiras, de neutro para overweight (equivalente a compra), citando a chance de um recuo mais forte da taxa de juros, para até 11,25% em 2027. Já no mercado de títulos, o banco não vê distorção a ser explorada: “vemos os mercados de juros precificando com acurácia os riscos eleitorais e o espaço para volatilidade significativa à frente”, afirmam os analistas de mercados emergentes do banco, Tania Jacob, Gisela Brant, Santiago Calcano e Anezka Christovova.

O JPMorgan, por sua vez, passou a apostar no real. A operação consiste em comprar uma opção de venda (put) de R$ 5 e vender duas de R$ 4,80, desenho em que o prêmio recebido nas vendas ajuda a financiar a compra e reduz o custo da montagem. O posicionamento reflete uma aposta em valorização moderada do real, que perde eficácia caso a moeda se aprecie muito além dos 4,80.

Fluxo estrangeiro volta ao positivo

Alguns dados já começam a aparecer. Na semana passada, o fluxo estrangeiro para a Bolsa voltou para o positivo, com R$ 2,8 bilhões em compras líquidas, levando o total de entradas no ano outra vez para mais de R$ 20 bilhões. Os fundos de ações seguiram com resgates, após saída líquida de R$ 100 milhões, mas os multimercados viram aporte líquido de R$ 300 milhões.

“Depois de um período prolongado no qual o investidor estrangeiro reduziu sua exposição ao país, pequenas mudanças na percepção sobre crescimento, juros e política podem produzir movimentos significativos de fluxo”, diz a casa em carta a clientes.

Inflação e juros no radar

Além das eleições, ajuda a expectativa de uma acomodação da inflação, que pode permitir uma queda mais acelerada da Selic – e ajudar tanto a renda fixa quanto a Bolsa. A prévia de agosto trouxe deflação e reacendeu a aposta em juros menores, mas economistas divergem sobre alongar prazos ou preservar liquidez; errar a mão pode custar até 5% dependendo do papel.

O cenário externo, porém, segue desafiador. As bolsas dos EUA operam em baixa em meio à alta do petróleo, o que pressiona os rendimentos dos títulos americanos e pode limitar o apetite por ativos de risco emergentes.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o movimento pode sinalizar um ambiente de negócios mais favorável, com juros potencialmente menores no futuro e maior liquidez no mercado de capitais, o que tende a beneficiar o crédito e o investimento produtivo.

Perguntas Frequentes

Por que os ativos brasileiros dispararam após as pesquisas eleitorais?

Pesquisas como Quaest e BTG/Nexus mostraram empate ou vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno, reduzindo a incerteza e incentivando gestoras a aumentar posições em Bolsa e juros, com o BofA elevando a Bolsa local a compra e o JPMorgan apostando no real.

Qual foi o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira na semana passada?

O fluxo estrangeiro voltou ao positivo com R$ 2,8 bilhões em compras líquidas, elevando o total de entradas no ano para mais de R$ 20 bilhões, enquanto fundos multimercados tiveram aporte líquido de R$ 300 milhões.

Como o Bank of America justificou a elevação da recomendação para ações brasileiras?

O BofA elevou a recomendação de neutro para overweight (compra) citando a chance de queda mais forte da Selic, para até 11,25% em 2027, impulsionada pela expectativa de acomodação da inflação.

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