Europeus guardam mais dinheiro em espécie, afirma BCE

Crédito: G1
Apesar da popularidade dos pagamentos digitais, os europeus estão aumentando suas reservas em dinheiro vivo. Dados do Banco Central Europeu (BCE) indicam que o total de euros em circulação cresceu 60% em dez anos. Especialistas apontam medo de crises, ataques cibernéticos e desastres naturais como fatores.
O BCE monitora o número de notas bancárias em circulação desde 2002. Em muitas cidades europeias, os pagamentos eletrônicos são utilizados com mais frequência do que o dinheiro vivo. Mesmo assim, o total de cédulas não para de aumentar, o que tem chamado a atenção de economistas.
Crescimento expressivo das cédulas
O total de euros em dinheiro vivo em circulação registrou salto de 60% em uma década. De acordo com o BCE, o número de cédulas de euro na União Europeia aumenta mesmo com o avanço dos pagamentos eletrônicos. Mais de 31 bilhões de notas estão em circulação, contra 24 bilhões antes da pandemia de covid-19, em 2019. A nota mais popular em 2025 era a de 50 euros, seguida pela de 100 euros.
O valor total das notas também subiu significativamente, passando de 1 trilhão de euros em 2016 para 1,6 trilhão em 2026, segundo o BCE. Essa soma representa, em termos proporcionais, cerca de 5.000 euros para cada cidadão da Zona do Euro. O impacto desse acúmulo chama atenção no setor financeiro.
Motivos da busca por dinheiro físico
Especialistas associam o aumento do uso de dinheiro vivo à ansiedade em relação a guerras e à maior ocorrência de ataques cibernéticos contra sistemas de pagamento online e por aproximação. Os incêndios florestais que atingiram vários países da Europa recentemente também levaram as pessoas a elevar suas reservas de emergência em espécie. Em 2025, os cidadãos da UE foram aconselhados a estocar alimentos, água e itens essenciais para 72 horas.
As famílias foram incentivadas a montar kits de emergência com água engarrafada, rádio de pilha, alimentos enlatados e dinheiro vivo. Essa orientação ocorreu em meio ao risco de ciberataques e catástrofes naturais. A orientação reforça o papel do dinheiro físico como garantia de poder de compra em situações extremas.
BCE defende prontidão para crises
Philip Lane, economista-chefe do BCE, afirmou recentemente que o estoque total de cédulas continua a crescer. Ele explicou que o número de notas está diminuindo nas transações financeiras, mas aumenta em razão dos estoques pessoais. Para o BCE, o dinheiro em espécie é parte fundamental da “prontidão nacional para crises”.
O conceito diz respeito à capacidade de cada país antecipar, prevenir e reagir a crises internacionais, como conflitos, desastres naturais, apagões de energia e crises de saúde. A recomendação de estocar suprimentos básicos se encaixa nesse contexto. O dinheiro vivo, nesse cenário, torna-se um recurso estratégico de segurança.
Lições para o comércio local
A tendência europeia de acumular dinheiro em espécie pode servir de reflexão para empresários de Araçatuba e região noroeste paulista. Apesar do avanço dos meios eletrônicos, ter reserva em caixa é uma prática de precaução contra falhas operacionais do sistema financeiro. Pequenos e médios comerciantes podem se beneficiar de planos de contingência.
Especialistas em gestão de risco destacam que a diversificação de formas de pagamento e a disponibilidade de dinheiro físico são importantes para a continuidade dos negócios. Em situações de queda de internet, ataques cibernéticos ou desastres naturais, o dinheiro em espécie garante transações mesmo sem infraestrutura eletrônica. O exemplo europeu mostra que a prevenção é uma tendência que veio para ficar.
O movimento europeu de aumentar as reservas em dinheiro vivo ocorre em um contexto de sucessivas crises. Para os lojistas, a orientação é planejar a gestão de caixa considerando cenários adversos. Ter cédulas disponíveis pode garantir a operação do negócio quando sistemas eletrônicos falham. A experiência do continente europeu serve como alerta para a realidade brasileira.
Brasil tem moedas paradas
No Brasil, os brasileiros têm R$ 32 milhões “perdidos” em moedas de 1 centavo. Esse valor é referente a moedas de baixo valor que não circulam. O dado contrasta com a tendência europeia de valorização do dinheiro em espécie. A informação destaca a importância da circulação da moeda na economia.
Perguntas Frequentes
O total de euros em dinheiro vivo aumentou quanto em dez anos?
O total de euros em dinheiro vivo em circulação teve um salto de 60% em dez anos. O valor total das notas cresceu de 1 trilhão de euros em 2016 para 1,6 trilhão em 2026, segundo o BCE.
Quantas cédulas de euro estão em circulação em 2025 e quais são as mais comuns?
Mais de 31 bilhões de notas estão em circulação, contra 24 bilhões antes da pandemia. As notas de 50 e 100 euros são as mais populares em 2025.
Por que os europeus estão guardando mais dinheiro em espécie, mesmo com pagamentos eletrônicos?
Especialistas associam o aumento à ansiedade com guerras e ataques cibernéticos. Incêndios florestais recentes também levaram as pessoas a aumentar reservas de emergência, e o BCE vê o dinheiro como parte da prontidão nacional para crises.




























