Foz do Amazonas Petrobras: valor bilionário em jogo

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Foz do Amazonas Petrobras: valor bilionário em jogo

A Petrobras tem na Foz do Amazonas uma das suas principais apostas estratégicas para as próximas décadas. De acordo com analistas do Scotiabank, as definições sobre a exploração da região serão bem mais importantes para a companhia do que o resultado das urnas neste ano. O relatório, assinado por Jorge Gabrich e Pedro Nascimento, detalha o potencial bilionário da área e sua relevância para a manutenção dos níveis de produção da estatal.

Além do potencial para gerar bilhões de dólares em valor com suas reservas estimadas, a região é vista como fundamental para manter os níveis de produção da Petrobras para além de 2032, a partir de quando seus campos atuais sofrerão um declínio relevante. Essa perspectiva coloca a Foz do Amazonas no centro do planejamento de longo prazo da companhia, independentemente do cenário político.

Potencial de produção comparável ao pré-sal

Só em sua porção noroeste, uma de suas três subdivisões, onde uma primeira perfuração confirmou a descoberta de Morpho, a Bacia da Foz do Amazonas poderia receber cinco navios-plataforma, que extrairiam um total de 4,73 bilhões de barris ao longo do programa exploratório, estimaram os analistas. O pico de produção nessa área poderia ser atingido em 2038 com 842 mil barris por dia de óleo, ou 899 mil bpd incluindo gás.

A título de comparação: os números se aproximam dos campos de Búzios e Tupi, os maiores da Petrobras, no pré-sal, que produzem na faixa de 1 milhão de barris por dia cada. E essa é uma pequena parte de um potencial bem maior, conforme destacado no relatório. A magnitude desses volumes reforça a importância estratégica da região para a segurança energética e para a geração de caixa da estatal.

Valor presente líquido bilionário

Em termos de retornos, só essa primeira porção noroeste da Foz do Amazonas poderia gerar um valor presente líquido (NPV) de US$ 15,9 bilhões, considerando um Brent médio de US$ 70 por barril. Isso equivale a cerca de 14% do valuation da Petrobras, adicionando R$ 6,65 por ação em valor à companhia, disseram os analistas. Com um Brent a US$ 80, o valor presente líquido subiria para US$ 20,3 bilhões.

O cálculo do time do Scotiabank levou em conta um capex estimado em impressionantes US$ 36 bilhões, com um pico de desembolsos de US$ 4 bilhões em 2034 e o primeiro óleo em 2033. Embora as datas pareçam distantes, a decisão de investimento para que isso possa se tornar realidade precisa acontecer anos antes, já no próximo Governo. Ainda assim, a disputa presidencial não é considerada um tema preocupante porque a Petrobras precisará explorar essas reservas “qualquer que seja o resultado das eleições,” disseram os analistas no relatório.

Impacto para o interior paulista

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, os desdobramentos da exploração na Foz do Amazonas podem parecer distantes, mas os efeitos macroeconômicos tendem a reverberar em toda a cadeia produtiva. O aumento da produção de petróleo e gás pode gerar demanda por serviços, equipamentos e logística, impulsionando setores que vão desde a indústria metalúrgica até o comércio de bens duráveis. Além disso, a valorização da Petrobras no mercado acionário pode fortalecer a confiança de investidores e estimular o ambiente de negócios em todo o país.

A região de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, conhecida por sua forte base agroindustrial e de calçados, pode se beneficiar indiretamente do aquecimento econômico gerado por projetos de grande porte. A geração de empregos diretos e indiretos na cadeia de óleo e gás, somada ao aumento da arrecadação de impostos, tende a criar um ciclo virtuoso para o comércio local. A fonte não detalhou projeções específicas para o interior paulista, mas o histórico de grandes investimentos em infraestrutura energética mostra efeitos positivos em diversos segmentos.

Para as pequenas e médias empresas, o momento exige atenção às oportunidades que podem surgir com a expansão da atividade petrolífera. Fornecedores de materiais, prestadores de serviços e transportadoras podem encontrar novas demandas, especialmente se houver políticas de conteúdo local. A ACIA e outras entidades empresariais devem acompanhar de perto os desdobramentos regulatórios e as decisões de investimento da Petrobras, pois o sucesso da exploração na Foz do Amazonas pode abrir portas para negócios em toda a cadeia produtiva.

Em resumo, o relatório do Scotiabank evidencia que a Foz do Amazonas é um ativo estratégico de valor bilionário para a Petrobras, com potencial para sustentar a produção nacional por décadas. Para o empresariado do interior paulista, os efeitos indiretos podem ser significativos, reforçando a importância de acompanhar as próximas definições sobre a exploração da região.

Perguntas Frequentes

Qual é o valor presente líquido estimado da porção noroeste da Foz do Amazonas para a Petrobras?

O valor presente líquido (NPV) estimado é de US$ 15,9 bilhões, considerando um Brent médio de US$ 70 por barril, o que equivale a cerca de 14% do valuation da Petrobras e adiciona R$ 6,65 por ação.

Qual seria a produção diária estimada no pico da porção noroeste da Foz do Amazonas?

O pico de produção poderia ser atingido em 2038 com 842 mil barris por dia de óleo, ou 899 mil barris por dia incluindo gás, aproximando-se dos níveis dos campos de Búzios e Tupi.

Quanto a Petrobras precisaria investir para explorar a porção noroeste da Foz do Amazonas?

O capex estimado é de US$ 36 bilhões, com pico de desembolsos de US$ 4 bilhões em 2034 e primeiro óleo previsto para 2033.

Fonte

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