Raízen cai 19% após plano de recuperação

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Raízen ação derrocada 19% após plano de recuperação

Mercado reage a plano de recuperação

As ações da Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, fecharam com recuo de 19,05%, cotadas a R$ 0,34, após a empresa detalhar seu plano de recuperação extrajudicial. Na mínima do dia, os papéis chegaram a R$ 0,33. A forte desvalorização reflete a reação dos investidores aos termos da reestruturação financeira apresentada pela companhia.

A Raízen informou que sua dívida total soma R$ 75,35 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões estão incluídos no processo de recuperação extrajudicial. O montante elevado e as condições propostas para equacionar o passivo geraram incertezas no mercado, resultando na forte queda das ações.

Detalhes do plano de reestruturação

Os termos da reestruturação preveem um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação no fechamento. Além disso, há uma potencial injeção de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, controlador da Cosan. O plano também prevê a emissão de ações ordinárias.

De acordo com analistas do UBS BB, a taxa de conversão de R$ 0,25 por ação para a injeção de capital e a conversão da dívida significa que os credores acabarão com cerca de 83% da empresa ao final, equivalente a 72% das ações ordinárias. Esse elevado percentual de diluição dos atuais acionistas explica parte da reação negativa do mercado.

Opções para credores e governança

O plano oferece alternativas aos credores. Na alternativa de pagamento B, a dívida seria trocada por dívida emitida pela Raízen Energia, com um desconto de 80%, e a nova dívida teria prazo até 2047. Já na opção C, o credor recebe em dinheiro montante equivalente ao menor valor entre 75% do que lhe é devido e R$ 9.750,00. Esse pagamento em dinheiro está sujeito a um limite total de R$ 150 milhões, correspondente a R$ 200 milhões em créditos considerados.

Do ponto de vista de governança, a atual administração continuaria, mas os credores poderiam exercer supervisão, com poder de veto limitado a questões relevantes. Após a conclusão da reestruturação, o conselho de administração teria sete membros: quatro indicados pelos credores apoiadores, incluindo o presidente do colegiado, e três indicados pelos acionistas investidores.

Cisão da companhia em duas empresas

O plano prevê a cisão da Raízen em duas empresas: Raízen Energia e Raízen Combustíveis. A cisão seria implementada após o fechamento da operação, mas depende de acordo entre as partes para a venda de determinados ativos de geração de energia, ativos não estratégicos e outras usinas da Raízen Energia. A separação das operações visa dar mais transparência e foco a cada negócio, mas ainda está sujeita a condições.

A reação do mercado ao plano de recuperação da Raízen evidencia a preocupação dos investidores com o alto endividamento e a diluição acionária. O desenrolar do processo será acompanhado de perto pelos agentes financeiros, especialmente no que tange à aceitação das propostas pelos credores e à efetiva implementação da cisão.

Perguntas Frequentes

Por que a ação da Raízen caiu 19%?

A ação da Raízen fechou em queda de 19,05%, a R$ 0,34, após a empresa detalhar seu plano de recuperação extrajudicial, que inclui uma dívida total de R$ 75,35 bilhões e uma reestruturação que diluirá os acionistas.

Qual é o valor da dívida da Raízen e quanto será recuperado?

A dívida total da Raízen é de R$ 75,35 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões são objeto da recuperação extrajudicial. O plano prevê que os credores fiquem com cerca de 83% da empresa, equivalentes a 72% das ações ordinárias.

Como será a reestruturação da Raízen e quem vai injetar capital?

O plano prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação e uma potencial injeção de R$ 500 milhões pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto. Haverá cisão em Raízen Energia e Raízen Combustíveis, e o conselho passará a ter 7 membros, com 4 indicados pelos credores.

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