Reforma tributária: incerteza atrasa negócios das empresas

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Reforma tributária empresas: incerteza atrasa negócios

A reforma tributária brasileira, em vigor desde 2026, está gerando incerteza jurídica e atrasando a adaptação de empresas de todos os portes. A expectativa é de que companhias com notas fiscais incorretas comecem a ter problemas já no início do ano que vem. Quem não estiver preparado poderá enfrentar paralisação da operação; entenda os riscos e os cenários.

Risco de recusa de notas fiscais

Empresas que não estiverem adaptadas aos novos impostos da reforma tributária poderão enfrentar uma espécie de caos: é esperado que, em algum momento do ano que vem, essas companhias comecem a ter as notas fiscais recusadas pela Receita Federal. Ainda não há uma data fechada para que a recusa aconteça, mas a expectativa é de que empresas com notas fiscais com alíquotas incorretas já comecem a ter problemas a partir de janeiro de 2027.

“Toda vez que tentarem emitir uma nota fiscal sem as informações de IBS e CBS, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) vai rejeitar essa nota e esse documento não vai ser emitido. Isso é o maior risco possível. De fato, um risco de continuidade de negócios”, apontou o executivo da Ninecon. A declaração reforça a urgência para que as empresas regularizem seus sistemas fiscais.

Os números estão no painel de Registro de Operações de Consumo (ROC) da Receita Federal. A última atualização é de 8 de outubro de 2026 e inclui notas emitidas até as 23h59 do dia 7. A fonte não detalhou o percentual de empresas já em conformidade.

Empresários paralisados pela eleição

A conta não fecha, pois faltam menos de três meses para terminar o ano. Portanto, quem começar essa jornada agora, já a inicia em atraso. E ainda há muitos empresários paralisados ou no meio do caminho. A incerteza sobre o resultado das eleições e possíveis mudanças na legislação tem travado decisões.

Com a janela dos três meses se fechando no início de outubro, 30% destas empresas optaram por iniciar os processos de adaptação, contanto que pudessem parar tudo em caso de mudanças na lei, com previsão disso em contrato. Outros 20% seguem esperando o resultado das urnas para se mexerem. Os dados refletem a cautela do setor produtivo diante do cenário político.

“Eu diria que 90% dos meus clientes ainda têm um longo caminho pela frente”, aponta Mariam Stenger, da Acta Consultores. Os clientes de Stenger são empresas que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 5 bilhões. A declaração evidencia que mesmo grandes corporações estão atrasadas na implementação.

Custo elevado da adaptação

Soma-se a isso o alto custo para a atualização. O cálculo é de que o preço mínimo para fazer todas as adaptações necessárias fique em torno de R$ 100 mil. Em multinacionais, há relatos de gastos na ordem de meio bilhão. Os valores pressionam principalmente pequenas e médias empresas, que têm menos folga de caixa.

Para o comércio e a indústria do interior paulista, como em Araçatuba, Birigui e Penápolis, o investimento pode representar uma fatia significativa do faturamento anual. A falta de preparo pode gerar atrasos em emissão de notas, multas e até interrupção das vendas.

Cenários pós-eleição

O que pode ocorrer com a reforma tributária depois das eleições? Veja os cenários. Duquesa de Tax afirma que a vitória da oposição pode alterar o cronograma da reforma, mas mudanças exigem emenda constitucional e negociação no Congresso. Crédito: Coluna: Maria Carolina Gontijo; Edição: Felipe Pahor; Supervisão e distribuição de conteúdo: Jefferson Perleberg.

A possibilidade de mudança substancial é considerada pouco factível. Mesmo que haja alguma postergação sob um novo governo, o entendimento é de que as definições esperadas para 1º de janeiro de 2027 sejam mantidas. Portanto, as empresas não devem contar com adiamentos e precisam acelerar seus processos de conformidade.

Candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após primeiro turno das eleições Foto: Wilton Jr/Daniel Teixeira/Estad. A imagem ilustra a disputa que mantém o empresariado em compasso de espera.

Diante desse quadro, especialistas recomendam que as empresas iniciem imediatamente a revisão de seus sistemas fiscais, busquem consultoria especializada e monitorem as definições oficiais. O tempo é curto e o risco de paralisação é real.

Perguntas Frequentes

Quando as empresas podem começar a ter notas fiscais recusadas pela Receita Federal devido à reforma tributária?

A expectativa é que empresas com notas fiscais com alíquotas incorretas comecem a ter problemas a partir de janeiro de 2027, embora ainda não haja uma data fechada para a recusa.

Qual é o custo mínimo estimado para as empresas se adaptarem à reforma tributária?

O preço mínimo para fazer todas as adaptações necessárias fica em torno de R$ 100 mil, mas em multinacionais há relatos de gastos na ordem de meio bilhão de reais.

Qual é o percentual de empresas que ainda não iniciaram os processos de adaptação à reforma tributária?

Segundo Mariam Stenger, da Acta Consultores, 90% dos seus clientes (empresas que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 5 bilhões) ainda têm um longo caminho pela frente na adaptação.

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