Santander Brasil despenca na bolsa e diferença com matriz bate recorde

Crédito: Valor Econômico
Desempenho oposto na bolsa
As units do Santander Brasil (SANB11) caíram 21% neste ano, registrando o pior desempenho entre os maiores bancos do país. Enquanto isso, os papéis do grupo na Espanha acumulam valorização de 24%. A diferença entre os dois mercados atingiu um recorde histórico, ampliando o prêmio de desalinhamento entre a unidade brasileira e sua controladora.
O movimento contrastante reflete percepções distintas dos investidores sobre as perspectivas do banco nos dois países. No Brasil, a unidade enfrenta desafios específicos, enquanto a matriz se beneficia de um ambiente mais favorável na Europa.
Possível saída da bolsa é especulada
O prêmio recorde levou alguns analistas a discutirem uma possível retirada do Santander Brasil da bolsa na primeira metade de 2025. Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos, escreveu em um relatório em junho de 2025 que o movimento seria viável financeiramente. A avaliação considera que o custo de recomprar as units poderia ser compensado pela simplificação da estrutura de capital.
No entanto, o fluxo de atividade do grupo deixou alguns investidores céticos quanto à possibilidade de que um fechamento de capital no Brasil faça parte dos planos a curto prazo. O então presidente do Santander Brasil, Mario Leão, disse em uma coletiva de imprensa em fevereiro: “A gente não pensa nisso”. Representantes do banco na Espanha e no Brasil não comentaram.
Aquisições no exterior
Neste ano, o Grupo Santander integrou o banco britânico TSB, que comprou por 2,65 bilhões de libras. Além disso, anunciou em fevereiro a compra da americana Webster Financial por US$ 12,2 bilhões. Essas aquisições demonstram a estratégia de expansão internacional do grupo, mas também consomem recursos que poderiam ser direcionados ao Brasil.
Para alguns analistas, a prioridade dada a negócios no exterior reduz a probabilidade de uma oferta para retirar a unidade brasileira da bolsa no curto prazo. A expectativa é que o grupo foque na integração das novas aquisições antes de considerar movimentos no Brasil.
Rentabilidade abaixo da meta
O Santander Brasil tem mais exposição ao financiamento ao consumo que os pares locais, o que aumenta sua sensibilidade ao ciclo de crédito. A rentabilidade do Santander Brasil está atrás da registrada no restante do grupo. O retorno sobre o patrimônio líquido tangível do Santander Brasil foi 14,8% no primeiro trimestre, contra 26% da unidade da Espanha e 15,2% do grupo como um todo. A meta de médio prazo do Santander para o Brasil é 20%.
Para alcançar esse objetivo, o banco precisará melhorar sua eficiência e reduzir provisões para devedores duvidosos. A substituição de Mario Leão por Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3, pode indicar uma mudança de estratégia. Leão assumiu como presidente do Santander no começo de 2022 e agora dá lugar a um executivo com experiência no mercado de capitais.
Impacto no interior paulista
A desvalorização das units do Santander Brasil pode afetar investidores institucionais e pessoas físicas na região noroeste paulista, que possuem ações ou fundos expostos ao banco. Pequenos e médios empresários de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis devem acompanhar a evolução do caso, pois o Santander é um dos principais credores do comércio local.
A incerteza sobre o futuro da unidade brasileira na bolsa pode influenciar decisões de crédito e investimento na região. Por enquanto, a expectativa é de que o banco mantenha suas operações no país, mas o prêmio recorde entre as ações no Brasil e na Espanha segue como um sinal de alerta para o mercado.
Perguntas Frequentes
Por que as units do Santander Brasil (SANB11) caíram 21% em 2025?
As units do Santander Brasil caíram 21% em 2025, o pior desempenho entre os maiores bancos do país, devido à maior exposição ao financiamento ao consumo e à rentabilidade inferior (ROTE de 14,8% no primeiro trimestre) em comparação com a matriz espanhola (ROTE de 26%).
O Santander Brasil pode ser retirado da bolsa em 2025?
Analistas discutem uma possível retirada do Santander Brasil da bolsa na primeira metade de 2025, e Eduardo Nishio, da Genial, afirmou em junho de 2025 que o movimento seria viável financeiramente. No entanto, o então presidente Mario Leão disse em fevereiro que ‘a gente não pensa nisso’, e o fluxo de aquisições do grupo (TSB e Webster Financial) deixou investidores céticos quanto a um fechamento de capital a curto prazo.
Qual é a diferença de rentabilidade entre o Santander Brasil e a matriz na Espanha?
No primeiro trimestre de 2025, o retorno sobre o patrimônio líquido tangível (ROTE) do Santander Brasil foi de 14,8%, enquanto o da unidade da Espanha foi de 26% e o do grupo como um todo foi de 15,2%. A meta de médio prazo do Santander para o Brasil é 20%.




























