Stablecoins batem recorde no Brasil e superam Vale e Petrobras

Crédito: Estadão
Recorde histórico de R$ 27 bilhões
Populares entre os brasileiros, as stablecoins dolarizadas — conhecidas como “dólar digital” — alcançaram em julho um volume de negociações de R$ 27 bilhões, de acordo com dados da plataforma Biscoint.
O que são as stablecoins dolarizadas?
Diferentemente de outras criptomoedas, esses ativos buscam manter paridade com o dólar, reduzindo a volatilidade. O montante é o mais alto já registrado pela empresa desde o início da série histórica, em 2024. O levantamento considera as operações com as duas principais stablecoins do mercado: o USDT, emitido pela Tether, e o USDC, da Circle.
A cifra bilionária reflete a confiança dos brasileiros nesses instrumentos, que combinam a praticidade do mundo digital à estabilidade da moeda americana.
Domínio do USDT e superação das ações
USDT: mais de 80% do fluxo de criptoativos
O USDT, sozinho, representa mais de 80% de todo o fluxo de criptoativos no Brasil, evidenciando a preferência dos investidores pela stablecoin atrelada ao dólar.
Volume supera ações da Petrobras e Vale
O volume recorde não apenas estabeleceu uma nova marca, como também superou o total negociado em ações de algumas das maiores empresas do país. As negociações de stablecoins ultrapassaram o movimento dos papéis da Petrobras e da Vale na Bolsa de Valores, consolidando a relevância desses ativos digitais no mercado financeiro nacional.
A magnitude do valor chama a atenção de analistas e reguladores. O feito ilustra o amadurecimento do mercado cripto nacional e sua integração com sistemas financeiros tradicionais.
Solução ágil para pagamentos internacionais
Eficiência em transações transfronteiriças
Um dos fatores que impulsionam a adoção das stablecoins é sua utilidade em transações transfronteiriças. Por meio da rede blockchain, qualquer pessoa ou empresa pode enviar recursos para qualquer lugar do mundo de forma instantânea.
Sarah Uska, Analista de criptoativos, afirmou que “as stablecoins resolvem os problemas dos pagamentos internacionais, que atualmente são burocráticos, podem demorar dias e envolvem custos elevados”.
Benefícios para comércio exterior e empresas
Para empresários e comerciantes que dependem de importações ou exportações — realidade comum em regiões como o noroeste paulista —, essa agilidade pode reduzir despesas e agilizar operações. A tecnologia permite ainda maior controle e transparência nas transações.
Para pequenas e médias empresas, que muitas vezes enfrentam dificuldades com serviços bancários tradicionais, as stablecoins representam uma alternativa viável.
Avanço da regulação do Banco Central
Normas em desenvolvimento e possível IOF
O recorde de movimentação acontece em um cenário de crescente interesse regulatório. O Banco Central tem trabalhado na criação de normas para o setor, o que abriu espaço para discussões sobre uma possível cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações com stablecoins.
Impacto da tributação preocupa setor
Em março, o governo federal chegou a considerar a abertura de uma consulta pública para avaliar a incidência do tributo sobre criptoativos, mas acabou desistindo da iniciativa. A possibilidade de tributação preocupa participantes do mercado, que temem aumento de custos. A medida é vista com cautela pelo setor, que aguarda definições mais claras.
Proposta de retenção de 24 horas
Transferências a partir de US$ 10 mil podem ser seguradas
No fim de junho, o Banco Central apresentou uma proposta que obrigaria instituições financeiras e corretoras a reter por até 24 horas transferências de stablecoins para carteiras de autocustódia ou para o exterior. A futura norma, se aprovada, se aplicaria apenas a operações a partir de US$ 10 mil.
Justificativa e debate
Segundo a justificativa, o prazo permitiria a verificação de informações para prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Procurado, o Banco Central não se manifestou sobre o tema. A proposta gerou debates no setor, que teme impactos na velocidade das transações.
Bitcoin perde força, stablecoins ganham espaço
Volatilidade do bitcoin contrasta com estabilidade
Enquanto as stablecoins batem recordes, o bitcoin, principal criptomoeda do mundo, vive um período de incertezas. Após atingir sua máxima histórica, o ativo perdeu metade do seu valor. Somam-se a isso dúvidas sobre sua eficácia como reserva de valor. Esse ambiente de volatilidade contrasta com a estabilidade das stablecoins, que, por serem atreladas ao dólar, oferecem previsibilidade em meio às oscilações do mercado cripto.
Stablecoins como porta de entrada para criptoativos
A busca por ativos menos voláteis ajuda a explicar o interesse recorde dos brasileiros. Enquanto isso, as stablecoins se consolidam como uma porta de entrada para o universo dos criptoativos, especialmente para quem busca proteção cambial.
Perguntas Frequentes
Qual foi o volume recorde de stablecoins negociado no Brasil em julho?
Em julho, as negociações de stablecoins dolarizadas atingiram R$ 27 bilhões, o maior valor registrado pela plataforma Biscoint desde o início da série histórica em 2024.
As stablecoins realmente superaram as ações da Vale e Petrobras em volume de negociação?
Sim, o volume de R$ 27 bilhões negociado em julho superou o volume de ações da Petrobras e da Vale na Bolsa de Valores.
Como a nova regulação do Banco Central pode impactar as transferências de stablecoins?
O Banco Central propôs que transferências de stablecoins para carteiras de autocustódia ou para o exterior, a partir de US$ 10 mil, sejam retidas por até 24 horas para verificação de prevenção à lavagem de dinheiro. A regulação também abriu brecha para eventual cobrança de IOF sobre essas operações.




























