Sucessão familiar: US$ 90 tri em jogo e atos de liquidez

Crédito: Brazil Journal
Cerca de US$ 90 trilhões acumulados pelos baby boomers e pela Geração X serão transferidos como herança nos próximos 20 a 30 anos, na maior transferência “pacífica” de riqueza já vista. O processo, que já está em curso, tem gerado tensões e decisões precipitadas entre herdeiros. Especialistas alertam que a falta de planejamento pode comprometer patrimônios construídos ao longo de décadas.
Para Dolores, psicóloga e especialista em sucessão e governança de famílias empresárias, o erro mais comum é buscar um sucessor ideal. “É um erro colocar o foco em achar a pessoa ideal, sem considerar que existem mil possibilidades dentro de um núcleo familiar,” afirmou ao Brazil Journal. “A sucessão não é de uma cadeira apenas, é de um patrimônio, um legado.”
O peso da riqueza e os atos de liquidez
Segundo Dolores, a falta de alinhamento entre as gerações tem feito com que herdeiros que já estão recebendo parte desses trilhões busquem “atos de liquidez” para sair de negócios em que nunca estiveram envolvidos de verdade. Essa postura, muitas vezes motivada pela percepção da herança como um fardo, pode levar a decisões financeiras pouco vantajosas.
“O problema de ver a riqueza como um peso é que isso pode fazer com que ela seja depreciada muito rápido na sucessão – ou seja usada de forma pouco interessante,” explicou. A especialista ressalta que a venda precipitada de ativos ou a desmobilização de empresas familiares pode destruir valor em poucos anos.
Erros clássicos na sucessão
Outro equívoco frequente é olhar para o passado como referência. “É comum que a busca pela sucessão seja feita olhando o que funcionou no passado, outro erro,” disse Dolores. As dinâmicas familiares e os contextos de mercado mudam, e insistir em modelos antigos pode inviabilizar a continuidade dos negócios.
A sucessão, segundo ela, não se limita à troca de comando. “A sucessão não é de uma cadeira apenas, é de um patrimônio, um legado, um grupo empresarial,” reforçou. Isso exige uma visão ampla, que inclua governança, comunicação e preparação das novas gerações.
Trajetória da especialista
Formada em psicologia, Dolores foi mentora de empresários e executivos e, mais recentemente, especializou-se em sucessão e governança de famílias empresárias. Nos últimos 30 anos, trabalhou para companhias como Votorantim, BTG Pactual, C6 e Banco Cidade, da família Safdié (vendido para o Bradesco em 2002).
Começou a carreira no Unibanco, auxiliando os gerentes no início do processo de segmentação de clientes por perfil de renda, e em 2025 fundou a Mardô. Sua experiência prática em grandes grupos financeiros e familiares a credencia a apontar os principais gargalos na transição de patrimônio.
Impacto para empresas do interior paulista
Para empresários de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, o alerta é direto: a sucessão mal planejada pode levar ao fechamento de empresas locais, perda de empregos e redução da atividade econômica regional. Muitas dessas empresas são familiares e dependem de uma transição bem conduzida para sobreviver.
A orientação de especialistas como Dolores ganha relevância em um momento em que a transferência de riqueza se acelera. Sem um processo estruturado, o risco de “atos de liquidez” precipitados aumenta, comprometendo o legado de gerações.
Perguntas Frequentes
Quanto dinheiro está envolvido na transferência de riqueza dos baby boomers e da Geração X?
Cerca de US$ 90 trilhões acumulados pelos baby boomers e a Geração X serão transferidos como herança nos próximos 20 a 30 anos, na maior transferência pacífica de riqueza já vista.
O que são ‘atos de liquidez’ no contexto da sucessão familiar?
São ações de herdeiros que buscam sair de negócios nos quais nunca estiveram realmente envolvidos, muitas vezes devido à falta de alinhamento entre gerações, conforme apontado por Dolores.
Qual é o erro comum na busca pela sucessão em empresas familiares?
Um erro comum é focar em achar a pessoa ideal para ocupar uma cadeira, sem considerar as múltiplas possibilidades dentro do núcleo familiar, pois a sucessão envolve patrimônio, legado e grupo empresarial, não apenas um cargo.




























