Superávit da balança comercial resiste a choques externos

Crédito: Estadão
BRASÍLIA — A balança comercial brasileira demonstra resiliência diante de choques externos e caminha para registrar, em 2026, o segundo maior superávit da história. Mesmo com as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio, as projeções indicam um saldo positivo de US$ 84,4 bilhões, impulsionado pela diversificação de mercados e pelo aumento das exportações de petróleo.
Exportações para EUA caem, mas diversificação compensa
As exportações para os Estados Unidos devem recuar 6,5% em 2026, reflexo das tarifas impostas pelo governo norte-americano. No entanto, o Brasil tem compensado essa queda com a ampliação de vendas para China, Índia e Japão, mercados que ganharam relevância na pauta exportadora. A guerra no Oriente Médio, por sua vez, impulsionou a venda de petróleo para o exterior, contribuindo para o resultado positivo.
Segundo as projeções, as exportações totais devem alcançar US$ 382,5 bilhões, um crescimento de 9,8% em relação ao ano anterior. Já as importações estão estimadas em US$ 298,1 bilhões, alta de 6,4% sobre 2025. Com isso, o superávit comercial projetado é de US$ 84,4 bilhões, o que representa um aumento de 24,0% sobre o saldo de US$ 68,1 bilhões obtido em 2025.
Caso se concretize, esse será o segundo melhor resultado da série histórica, atrás apenas do superávit de US$ 98,9 bilhões registrado em 2023. A fonte não detalhou os motivos específicos para a diferença entre os dois anos, mas o desempenho atual reflete a capacidade do comércio exterior brasileiro de se adaptar a cenários adversos.
Dados acumulados mostram superávit de US$ 68,4 bilhões
Os números mais recentes, referentes ao período de janeiro até a terceira semana de outubro, apontam um superávit acumulado de US$ 68,4 bilhões. Nesse intervalo, as exportações somaram US$ 305,7 bilhões e as importações, US$ 237,3 bilhões. Esses dados reforçam a tendência de fechamento do ano com saldo robusto, mesmo diante das incertezas globais.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o cenário externo favorável pode se traduzir em oportunidades indiretas, especialmente para setores ligados ao agronegócio e à indústria de transformação. A diversificação de mercados abre portas para pequenas e médias empresas que buscam inserção internacional, ainda que de forma gradual.
Petróleo é destaque, mas governo contou com sorte
O economista Gabriel Cintra concorda que a externalidade positiva advinda do petróleo precisa ser enfatizada no resultado da balança comercial. No entanto, ele ponderou: “O governo contou mais com a sorte do que com o juízo”. A declaração sugere que, embora o cenário internacional tenha favorecido as exportações de combustíveis, as políticas internas poderiam ter contribuído de forma mais consistente para o resultado.
A economista Beni, por sua vez, destacou a importância da diplomacia presidencial. “Quando o presidente Lula assumiu em 2023, ele começou uma rodada internacional. Para quem está de fora e não trabalha com relações internacionais, com geopolítica, com comércio internacional, com nada disso, fica a espuma da crítica, mas aquilo foi muito necessário”, avaliou ela. A fala ressalta o papel das viagens e acordos na abertura de mercados para produtos brasileiros.
Plano Brasil Soberano e decisões estratégicas
Outro ponto destacado pela economista foi o lançamento do plano Brasil Soberano — criado para proteger a indústria nacional contra a instabilidade internacional —, com a não aplicação da lei da reciprocidade aos EUA. “Essa também foi uma decisão bem interessante”, analisou Beni. A medida evitou uma escalada tarifária com o principal parceiro comercial, preservando fluxos de comércio.
Em cerimônia em meados deste mês, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ressaltou que o mundo não vive um bom momento, com duas guerras em curso e consequente inflação. “Não temos condão de parar guerra, mas o presidente Lula fez de tudo para baixar custos”, defendeu. A declaração reforça a narrativa de que o governo tem atuado para mitigar os efeitos externos sobre a economia doméstica.
Para o comércio do interior paulista, a manutenção de um superávit elevado contribui para a estabilidade cambial e para a previsibilidade de custos de insumos importados. Entidades como ACSP, CDL e Sebrae podem orientar empresários locais a aproveitar as oportunidades de exportação, especialmente em nichos como alimentos, calçados e móveis, tradicionais na região de Araçatuba e Birigui.
Perguntas Frequentes
Qual é a projeção do superávit da balança comercial brasileira para 2026?
A projeção é de um superávit de US$ 84,4 bilhões, o segundo maior da história, atrás apenas de 2023 (US$ 98,9 bilhões).
Como as tarifas dos EUA e a guerra no Oriente Médio afetaram as exportações brasileiras?
As exportações para os EUA caíram 6,5% em 2026, mas o Brasil diversificou mercados na China, Índia e Japão, e a guerra no Oriente Médio impulsionou a venda de petróleo.
Quais são os valores acumulados da balança comercial brasileira em 2026 até a terceira semana de outubro?
Até a terceira semana de outubro, o superávit acumulado é de US$ 68,4 bilhões, com exportações de US$ 305,7 bilhões e importações de US$ 237,3 bilhões.




























