Terras raras no Paraná: subsolo atrai indústria global

Crédito: Tribuna do Paraná
O subsolo paranaense guarda elementos químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia, e estudos recentes colocam o estado no radar global de minerais estratégicos. Concentrações acima de 8 mil partes por milhão (ppm) de neodímio e térbio foram identificadas em áreas do Paraná, conforme divulgado pela Tribuna do Paraná. Esses elementos pertencem ao grupo das terras raras, insumos indispensáveis para a fabricação de ímãs de alto desempenho, motores elétricos, turbinas eólicas e componentes eletrônicos.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa pública federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, conduz os estudos que revelaram teores superiores a 8 mil ppm. A descoberta desperta interesse de companhias internacionais e pode transformar a vocação econômica de municípios paranaenses, com reflexos em toda a cadeia produtiva nacional.
Terras raras: o que são e por que importam
As terras raras compreendem 17 elementos químicos com propriedades magnéticas, luminescentes e catalíticas únicas. Neodímio e térbio, citados nas pesquisas, são utilizados em motores de veículos elétricos, discos rígidos, telas de celulares e equipamentos médicos. A oferta global desses minerais é concentrada em poucos países, o que torna novas descobertas estratégicas para a segurança industrial e tecnológica.
No Paraná, as áreas com concentrações expressivas estão sendo estudadas pelo SGB, que mapeia o potencial geológico do estado. A fonte não detalhou a localização exata das ocorrências, mas os dados indicam relevância suficiente para atrair investimentos privados.
Empresas australianas iniciam sondagens no Ribeira
A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou à Tribuna do Paraná que há duas empresas australianas realizando atividades de sondagem inicial e reconhecimento em áreas do Cinturão do Ribeira. Essa região geológica, que se estende entre o Paraná e São Paulo, é conhecida por seu potencial mineral diversificado. A presença de companhias estrangeiras sinaliza confiança nos dados preliminares e interesse em avançar para etapas de pesquisa mais detalhadas.
Uma das empresas, a Core Energy Minerals, por meio da subsidiária Mineração Remo, detém o projeto Tunas, nos municípios de Cerro Azul e Tunas do Paraná. O projeto é focado em argilas iônicas, um tipo de depósito de terras raras considerado de extração mais simples e de menor custo ambiental. A área do projeto compreende 18,32 quilômetros quadrados, dimensão significativa para exploração mineral.
Potencial vai além da extração, diz especialista
Para o professor Abdel Hach, o beneficiamento desses minerais é complexo e altamente tecnológico. Por isso, o maior potencial econômico para o Paraná está na possibilidade de desenvolver atividades de processamento, refino e industrialização, e não apenas a mera extração. Essa visão agrega valor à cadeia produtiva e pode gerar empregos qualificados e renda duradoura para a região.
O especialista cita ainda a infraestrutura logística e a presença de parques industriais, universidades e centros de pesquisa no Paraná como fatores decisivos que poderiam favorecer o desenvolvimento de uma cadeia produtiva caso os recursos sejam confirmados. A combinação de conhecimento acadêmico, capacidade industrial e logística eficiente posiciona o estado como candidato natural a sediar etapas avançadas da cadeia de terras raras.
Impacto para o comércio e a indústria paulista
Embora as ocorrências estejam no Paraná, os desdobramentos econômicos podem alcançar o noroeste paulista, especialmente cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis. A eventual instalação de plantas de processamento e refino demandaria máquinas, componentes, serviços de engenharia, logística e insumos diversos, abrindo oportunidades para fornecedores locais. Além disso, a geração de empregos diretos e indiretos na região sul do país tende a aquecer o consumo e o comércio regional.
Empresários e entidades como ACSP, CDL e Sebrae podem monitorar o avanço das pesquisas e se preparar para atender demandas futuras. A confirmação das reservas e o início da produção comercial ainda dependem de estudos de viabilidade econômica e licenciamentos ambientais, mas o cenário atual já justifica atenção estratégica.
Próximos passos e expectativas
As sondagens em andamento no Cinturão do Ribeira devem fornecer dados mais precisos sobre a extensão e o teor das jazidas. A ANM acompanha as atividades das empresas australianas, que cumprem as etapas previstas na legislação mineral brasileira. A fonte não detalhou prazos para conclusão dos estudos ou eventuais investimentos adicionais.
O interesse global por terras raras continua em alta, impulsionado pela transição energética e pela digitalização da economia. O Paraná, com suas descobertas recentes, entra nesse mapa como potencial fornecedor de insumos críticos, e o Brasil pode reduzir sua dependência de importações. Para o setor produtivo, o momento é de acompanhar de perto as movimentações e avaliar oportunidades de negócios ao longo da cadeia.
Perguntas Frequentes
Quais minerais estratégicos foram encontrados no subsolo do Paraná?
Foram identificadas concentrações acima de 8 mil ppm de neodímio e térbio, elementos de terras raras essenciais para a indústria de tecnologia.
Quem está estudando as reservas de terras raras no Paraná?
O Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa pública federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, está conduzindo os estudos.
Quais empresas estão explorando terras raras no Paraná?
Duas empresas australianas realizam sondagem inicial no Cinturão do Ribeira, e a Core Energy Minerals, por meio da subsidiária Mineração Remo, detém o projeto Tunas em Cerro Azul e Tunas do Paraná, com área de 18,32 km².




























