CEO do TRXF11 fala sobre dividendos, futuro e alavancagem

Crédito: Money Times
O TRX Real Estate (TRXF11) não pode garantir que continuará mantendo o atual patamar de dividendos. Essa afirmação, no entanto, é do sócio fundador e presidente-executivo da TRX, Luiz Augusto Amaral, durante o TRX Day, realizado na quinta-feira (20), em São Paulo.
A declaração ocorre em um momento de aceleração do crescimento do fundo, que passou por uma transformação significativa em sua carteira. Além disso, o evento reuniu investidores e abordou os rumos do fundo, que busca equilibrar crescimento e previsibilidade de rendimentos.
Dividendos: sem garantia de permanência
Em resposta a um investidor, Amaral foi direto: não há garantia de manutenção do atual nível de proventos. A pergunta questionava como a transformação do TRXF11 poderia afetar a previsibilidade de rendimentos que atraiu os cotistas mais antigos. Segundo o executivo, portanto, a retenção de resultados ou mudanças na carteira podem impactar os valores distribuídos.
Atualmente, o TRXF11 distribui R$ 0,93 por cota. Dessa forma, em julho, o valor representou um rendimento mensal de 1,02%, considerando a cotação de fechamento daquele mês. O fundo encerrou o período com os seguintes números:
- Patrimônio líquido: R$ 6,06 bilhões
- Cotistas: 344,8 mil
- Imóveis: 120
Carteira diversificada após saída do varejo
Nos últimos anos, o TRXF11 deixou para trás uma carteira fortemente concentrada no varejo para avançar sobre logística, hospitais, educação, shoppings, hotéis e outros segmentos. Assim sendo, essa diversificação reduziu a exposição a setores em dificuldade e abriu novas fontes de receita.
Durante o TRX Day, Amaral citou o Grupo Pão de Açúcar (GPA) como exemplo emblemático dessa mudança. No entanto, o GPA, hoje em recuperação extrajudicial, já chegou a representar grande parte do portfólio do fundo. Por outro lado, atualmente responde por uma parcela bem menor da carteira.
Alavancagem deve cair para 25%
Outro tema do TRX Day foi a alavancagem. Amaral afirmou que gostaria de reduzir o indicador bruto dos atuais níveis próximos de 30% para algo entre 20% e 25%. A meta, portanto, reflete a preocupação em dar mais conforto aos investidores, mesmo com o endividamento atual dentro de limites considerados aceitáveis pela gestão.
No relatório gerencial de julho, o TRXF11 apresentava:
- Saldo devedor de securitizações: R$ 2,75 bilhões (29,05% dos ativos)
- Alavancagem líquida (descontando investimentos com liquidez): 20,14%
Gestão reconhece desconforto dos cotistas
Para Amaral, um endividamento próximo de 30% não representa, por si só, um problema estrutural. Ainda assim, ele reconheceu que a dívida gera desconforto em parte dos investidores. Esse desconforto, no entanto, pesa na decisão de buscar um patamar menor, mesmo que o risco efetivo seja considerado baixo.
Em uma comparação, Amaral afirmou: “Se o fundo fosse só meu, eu alavancaria 60%, 50%. Mas eu tenho ciência de que estou pilotando um Boeing 787 com 350 mil passageiros”. Segundo ele, portanto, a responsabilidade vai além de avaliar se a dívida oferece risco financeiro. Ou seja, é preciso considerar também a percepção dos milhares de investidores que utilizam os rendimentos como fonte de renda.
As declarações no TRX Day reforçam o momento de transição do fundo, que busca conciliar crescimento e previsibilidade. Em resumo, a redução da alavancagem e a diversificação da carteira são os principais pontos citados pelo executivo.
Perguntas Frequentes
O que o CEO da TRX disse sobre a manutenção dos dividendos do TRXF11?
Luiz Augusto Amaral afirmou que o TRXF11 não pode garantir que continuará mantendo o atual patamar de dividendos. Assim sendo, atualmente o fundo distribui R$ 0,93 por cota, o que em julho representou um dividend yield mensal de 1,02%.
Qual é a meta de alavancagem do TRXF11 e qual o nível atual?
O CEO quer reduzir a alavancagem bruta dos atuais níveis próximos de 30% para algo entre 20% e 25%. Por exemplo, em julho, o saldo devedor de securitizações era de R$ 2,75 bilhões, equivalente a 29,05% dos ativos; pela métrica líquida, a alavancagem era de 20,14%.
Por que o CEO quer reduzir a alavancagem mesmo dizendo que o endividamento não é um problema?
Amaral reconheceu que a dívida gera desconforto em parte dos investidores, e afirmou que tem ciência de que está ‘pilotando um Boeing 787 com 350 mil passageiros’, considerando que muitos usam os rendimentos como fonte de renda. Por isso, busca reduzir a alavancagem para um patamar entre 20% e 25%.




























