Braskem estuda recuperação extrajudicial ainda em agosto

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Braskem avalia recuperação extrajudicial ainda em agosto

A Braskem avalia pedir recuperação extrajudicial ainda neste mês de agosto, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Contudo, a petroquímica enfrenta um prazo apertado: a proteção concedida por medida cautelar expira em 24 de agosto. Além disso, as negociações com credores estão em estágio avançado para equacionar mais de US$ 10 bilhões em dívidas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Dessa forma, o processo, se confirmado, poderá envolver a suspensão temporária de cobranças como parte da estratégia de reestruturação.

Corrida contra o tempo

Em 12 de agosto, duas pessoas familiarizadas com as negociações disseram à agência de notícias que um pedido formal pode ser protocolado ainda este mês. Assim sendo, a companhia corre contra o tempo até 24 de agosto, quando expira a proteção obtida por medida cautelar em junho, de acordo com as mesmas fontes. Essa medida cautelar foi concedida para dar fôlego à empresa enquanto ela busca um acordo com os credores. Ademais, se as atuais discussões de reestruturação avançarem, a estrutura do pedido extrajudicial incluirá um período de suspensão de cobranças, o chamado ‘stay period’, de 90 dias.

Essa janela daria tempo para a empresa e seus credores chegarem a um acordo mútuo. Ao mesmo tempo, a companhia ficaria protegida de eventuais ações judiciais. A expectativa, portanto, é que, nesse intervalo, seja possível negociar um plano abrangente para a dívida. O prazo reduzido, no entanto, adiciona urgência às tratativas, que envolvem múltiplas jurisdições.

Dívidas e desafios do setor

O endividamento da Braskem supera US$ 10 bilhões, somando as operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Além do prolongado ciclo de baixa no setor petroquímico, a posição de caixa da companhia foi enfraquecida por um desastre ambiental ligado às suas minas de sal em Alagoas. Ademais, segundo as fontes, a empresa deve precisar de três a cinco anos para resolver todos os desafios herdados. Esse cenário, consequentemente, exige um plano de longo prazo, que envolve a renegociação com diferentes grupos de credores, incluindo bancos, detentores de títulos e fornecedores.

Subsidiária mexicana

Em paralelo, a Braskem explora opções de reestruturação para a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana. Uma das fontes disse, por exemplo, que essa negociação pode incluir um potencial pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11. Esse processo teria cronograma mais ou menos alinhado ao da reestruturação no Brasil, segundo a mesma fonte. A hipótese, todavia, é que a empresa adote procedimentos coordenados, ainda que em sistemas judiciais diferentes.

Quem controla a Braskem

A Braskem é controlada pela gestora de private equity IG4 Capital, que pertence ao grupo de engenharia Novonor (ex-Odebrecht), e pela Petrobras. Dessa forma, a mudança na composição societária ocorre justamente no momento em que a petroquímica enfrenta a necessidade de reestruturar seu endividamento. Ademais, a nova configuração de controle envolve dois sócios com perfis distintos: uma gestora de private equity e uma estatal do setor de energia.

Distribuição de juros sobre capital próprio

Os acionistas receberão R$ 0,102 por ação em juros sobre capital próprio. O pagamento, ademais, ocorrerá em setembro e se soma aos R$ 340,7 milhões já antecipados em junho. A distribuição foi informada pela companhia em meio às tratativas de reestruturação, o que indica que a empresa ainda tenta manter uma relação previsível com seus investidores. Contudo, apesar do cenário de aperto financeiro, a Braskem decidiu manter o cronograma de pagamentos.

Impacto no mercado local

Para o mercado local, a situação da Braskem é acompanhada com atenção. A indústria petroquímica, por exemplo, fornece matérias-primas para plásticos, embalagens e outros insumos utilizados por indústrias de transformação em todo o país. No noroeste paulista, região com presença relevante de comércio e indústria, uma eventual reestruturação pode, consequentemente, influenciar o custo de insumos e as condições de fornecimento. Empresários de Araçatuba, Birigui e cidades vizinhas monitoram, sobretudo, os desdobramentos, que podem ter impacto indireto na economia local.

Próximos passos da reestruturação

As fontes destacam que as discussões estão avançadas, mas ainda dependem de acordo entre as partes. Caso o pedido seja protocolado, o período de 90 dias de suspensão de cobranças, no entanto, deve ser usado para a negociação de um plano abrangente. A Braskem busca equacionar, portanto, um passivo bilionário que envolve credores no Brasil e no exterior. Em suma, o desfecho desse processo pode definir não apenas o futuro da empresa, mas também o rumo de um setor estratégico para a economia nacional.

Perguntas Frequentes

Quando a Braskem planeja pedir recuperação extrajudicial e qual é o prazo limite?

A Braskem avalia pedir recuperação extrajudicial ainda em agosto, segundo fontes. Assim sendo, a companhia corre contra o tempo até 24 de agosto, quando expira uma proteção obtida por medida cautelar em junho.

Qual é o valor e a abrangência geográfica da dívida que a Braskem busca reestruturar?

Em suma, a Braskem busca equacionar mais de US$ 10 bilhões em dívidas em suas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

O que está previsto no pedido de recuperação extrajudicial da Braskem em relação aos credores e à subsidiária mexicana?

O pedido incluirá um período de suspensão de cobranças (stay period) de 90 dias para negociar um plano abrangente. Além disso, a Braskem explora opções para a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana, que pode incluir um pedido de Chapter 11 alinhado ao processo brasileiro.

Fonte

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