Brasil precisa ajustar rota da dívida pública, diz economista

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Brasil precisa ajustar rota da dívida pública, diz economista

O Brasil precisa ajustar a rota da dívida pública, segundo o economista Luccas Saqueto, da GO Associados. Em entrevista ao CNN Money, ele defendeu a revisão de incentivos fiscais e o corte de gastos para conter o crescimento do endividamento público. A declaração ocorre em meio ao debate sobre a proposta de emenda constitucional (PEC) apresentada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, para ajustar as contas públicas.

PEC de Simone Tebet vai na direção certa

Saqueto avalia que a proposta de Tebet caminha no sentido correto, mas ressalta que qualquer nova regra fiscal precisa transmitir credibilidade. Para ele, o arcabouço fiscal aprovado em 2023 acumulou tantas exceções ao longo do tempo que perdeu o rigor necessário. “A regra atual não serviu para conter o aumento da dívida pública”, declarou o economista. Ele acrescentou que é preciso adotar diretrizes que coloquem “a dívida pública num caminho menos ascendente do que ele é hoje”.

Desafio estrutural nas contas públicas

O economista afirmou que o país enfrenta um desafio estrutural nas contas públicas. Segundo ele, mais de 90% do orçamento federal já está comprometido com despesas obrigatórias, entre elas os salários dos servidores públicos federais. Esse cenário reduz a margem para investimentos e políticas discricionárias, pressionando ainda mais a dívida. Saqueto apontou que o Brasil concede muitos incentivos fiscais, alguns dos quais não apresentam retorno social adequado. “Alguns setores têm muito poder de lobby para conseguir o benefício fiscal, mas o retorno social não é tão grande”, afirmou.

Gargalos que pressionam o orçamento

Além dos incentivos fiscais, o economista citou as emendas parlamentares e os chamados supersalários como gargalos relevantes que pressionam o orçamento federal. Esses itens, somados às despesas obrigatórias, dificultam o equilíbrio das contas públicas. Saqueto criticou a estratégia adotada ao longo do último governo Lula, que apostou principalmente no aumento da arrecadação para equilibrar as contas, em vez de enfrentar o lado dos gastos. “Quando a economia cresce pouco, automaticamente a receita também diminui.

E se os gastos já estão pressionando, acaba aumentando a dificuldade de organizar as contas públicas”, explicou.

Dependência do aumento de receitas é arriscada

Para Saqueto, a projeção mediana para o crescimento da economia nos próximos anos é de cerca de 1%, o que torna ainda mais arriscada a dependência do aumento de receitas. Ele alertou que seria “muito negativo para a sociedade e para o mercado” um anúncio que apostasse novamente apenas no aumento das receitas. O economista destacou ainda que a elevada taxa básica de juros vigente está diretamente relacionada à insegurança fiscal.

A combinação de juros altos e dívida crescente gera um ciclo vicioso que compromete a capacidade de investimento do setor público e privado.

Impacto para o comércio do interior paulista

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o cenário fiscal nacional tem reflexos diretos no custo do crédito e na confiança para investir. A insegurança fiscal eleva os juros, encarece o capital de giro e reduz a demanda por bens e serviços. Pequenas e médias empresas de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis sentem os efeitos da instabilidade macroeconômica no dia a dia. A revisão de incentivos fiscais e o corte de gastos, se bem conduzidos, podem contribuir para um ambiente de negócios mais previsível.

No entanto, a fonte não detalhou quais setores seriam mais afetados pelas mudanças propostas.

Credibilidade é essencial para nova regra fiscal

Saqueto enfatizou que qualquer nova proposta fiscal precisa ser crível e efetivamente cumprida pelo governo. A credibilidade é o pilar para reduzir a percepção de risco e, consequentemente, a taxa de juros. Sem isso, o esforço de ajuste pode ser inócuo. O economista não apresentou números específicos sobre o tamanho do ajuste necessário, mas reforçou a urgência de mudar a trajetória da dívida. A discussão sobre a PEC de Simone Tebet deve avançar no Congresso, e o mercado acompanhará de perto os detalhes da proposta.

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil precisa ajustar a rota da dívida pública, segundo o economista Luccas Saqueto?

Segundo Luccas Saqueto, o Brasil enfrenta um desafio estrutural nas contas públicas e a regra fiscal atual não conteve o aumento da dívida, pois acumulou muitas exceções e perdeu rigor.

Quais medidas o economista Luccas Saqueto sugere para conter o crescimento da dívida pública?

Ele defende a revisão de incentivos fiscais com baixo retorno social, corte de gastos, enfrentamento de gargalos como emendas parlamentares e supersalários, e adoção de diretrizes que coloquem a dívida em trajetória menos ascendente.

Qual é a crítica de Luccas Saqueto à estratégia fiscal do governo Lula?

Saqueto critica a aposta no aumento da arrecadação em vez de cortar gastos, destacando que a projeção de crescimento da economia é de apenas 1% ao ano, o que torna a receita insuficiente para equilibrar as contas.

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