Planejamento fiscal agora é prioridade nos family offices

Crédito: NeoFeed
Reforma tributária redefine prioridades nos family offices
As mudanças na tributação dos investimentos e dividendos promovidas pela reforma tributária estão transformando profundamente a atuação dos family offices brasileiros. Antes, a escolha dos ativos era o ponto de partida da estratégia. Agora, o planejamento fiscal ganhou peso semelhante ao da seleção de ativos, levando clientes a investir por meio de estruturas diferentes. A principal consequência é o fim das soluções padronizadas para investidores de alta renda. Os escritórios passaram a oferecer três, quatro ou mais estruturas de investimento para tentar reduzir a carga tributária.
Planejamento patrimonial ganha destaque
Thiago Picanço, sócio e head da área de wealth management da Reach Capital, afirma: “A parte de planejamento patrimonial virou a principal parte da conversa com os clientes de wealth management, mais do que construção de carteira”. Ele complementa: “A diferença de fazer um negócio pensando em um tributário mais eficiente versus não pensar nisso acaba custando alguns pontos de performance por ano, independentemente do risco tomado”. Isso evidencia que a eficiência fiscal se tornou um diferencial competitivo crucial.
Multiplicação de carteiras personalizadas
Em vez de oferecer cinco tipos de carteira que levavam em conta apenas o nível de risco e retorno, a Reach Capital passou a considerar também seis diferentes perfis tributários — brasileiros com investimentos offshore, sem investimentos offshore, não residentes e outros. O resultado foi a criação de 30 carteiras de investimento adaptadas a diferentes perfis tributários e objetivos de retorno financeiro. Picanço observa: “Hoje em dia você precisa ser muito mais inteligente com relação ao que está fazendo tributariamente. Isso forçou a sofisticação dos family offices”. Esse aumento no número de estratégias representa uma mudança significativa em relação ao que era feito há alguns anos, tornando a atividade mais complexa.
Blindagem de lucros acumulados
Na prática, a reforma fecha a brecha de diluição dos recebimentos entre várias empresas pagadoras para escapar do limite mensal de R$ 50 mil, pois o Fisco volta a olhar o quadro completo no ajuste anual. Muitos family offices correram para blindar, com atas registradas, o estoque de lucros acumulados antes da entrada em vigor da nova regra. Uma fonte do setor, que preferiu não se identificar, explica: “Como muita gente já tem carteiras alocadas, não é que a gente vai dar um giro 180º nas carteiras. Vamos passar a fazer daqui para frente. Se a pessoa fizer um novo aporte, esse aporte já é analisado dentro das novas regras”.
Não há solução mágica
Henrique Galvão, head de assessoria legal e wealth planning da Vêneto Family Office — casa que tem R$ 6,5 bilhões sob gestão e atende clientes com tíquete mínimo de R$ 20 milhões — afirma que não existe “solução mágica”. A declaração reforça que, apesar das novas estratégias, não há atalhos para escapar da tributação, exigindo planejamento cuidadoso e personalizado.
Perguntas Frequentes
Como a reforma tributária afetou a atuação dos family offices brasileiros?
As mudanças na tributação dos investimentos e dividendos provocaram uma transformação profunda, fazendo com que o planejamento fiscal ganhasse peso semelhante ao da seleção de ativos. Os family offices agora oferecem três, quatro ou mais estruturas diferentes de investimento para reduzir a carga tributária.
Quantas carteiras de investimento a Reach Capital passou a oferecer após as mudanças tributárias?
A Reach Capital passou a considerar seis diferentes perfis tributários, combinados com cinco níveis de risco e retorno, resultando em 30 carteiras de investimento adaptadas a diferentes perfis tributários e objetivos financeiros.
Qual é a principal consequência das novas regras tributárias para investidores de alta renda?
A principal consequência é o fim das soluções padronizadas, levando os escritórios a oferecer múltiplas estruturas de investimento para tentar reduzir a carga tributária. Além disso, a brecha de diluição dos recebimentos entre várias empresas pagadoras para escapar do limite mensal de R$ 50 mil foi fechada.




























