Saída de capital externo derruba Ibovespa

0
53
Saída de capital estrangeiro derruba Ibovespa

O capital estrangeiro deixou a bolsa brasileira em agosto em ritmo acelerado. Isto é, entre os dias 1º e 18, último dado disponível, R$ 20,4 bilhões saíram da B3, movimento que ajudou a pressionar o Ibovespa e levantou sinais de rotação para ações de tecnologia. Ademais, desse total, R$ 18,7 bilhões correspondem a retiradas de investidores estrangeiros, apontadas como o principal combustível para as quedas recentes.

Principais pontos

  • R$ 20,4 bilhões saíram da B3 entre 1º e 18 de agosto.
  • Além disso, R$ 18,7 bilhões foram retirados por estrangeiros.
  • Consequentemente, Ibovespa caiu cerca de 8,8% entre a máxima e a mínima no período.
  • Sobretudo, blue chips como Vale, Petrobras, Itaú e Bradesco foram as mais afetadas.
  • Risco fiscal, eleições, juros e concorrência dos EUA explicam o movimento.

Os números da retirada

Os dados mostram a magnitude do movimento. Por exemplo, no intervalo analisado, o Ibovespa saiu da máxima de 180.679 pontos em 4 de agosto para a mínima de 164.835 pontos no dia 14, queda de aproximadamente 8,8% entre os extremos. Dessa forma, o efeito apareceu justamente nas blue chips, onde o estrangeiro concentra boa parte das posições.

Blue chips sob pressão

Durante a sequência de retirada de recursos, passaram por forte volatilidade:

  • Sabesp (SBSP3)
  • Bradesco (BBDC4)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Axia Energia (AXIA3)
  • Vale (VALE3)
  • Petrobras (PETR4)

“Quando a gente tem entrada de capital estrangeiro no nosso país, geralmente eles entram nas blue chips”, explica o analista Rafael Perretti, economista e analista da Clear. Ou seja, a razão está na liquidez: grandes fundos precisam movimentar volumes elevados e tendem a buscar ações com muita negociação. Portanto, é mais fácil montar e desmontar posições em Vale, Petrobras, Itaú ou Bradesco do que em companhias menores e menos negociadas.

Razões para a debandada

A saída de recursos não ocorre de forma isolada. Por exemplo, o mercado passou a enxergar mais riscos no cenário doméstico, especialmente na área fiscal. Ademais, a aproximação das eleições aumenta a cautela, enquanto as dúvidas sobre inflação e juros mantêm os investidores em alerta. Por outro lado, no cenário externo, a concorrência dos ativos americanos pelo capital global ficou mais intensa, desviando recursos que antes poderiam vir ao Brasil. Em resumo, André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, resume:

“Quando ele (investimento estrangeiro) está entrando, a bolsa está subindo e, quando ele está saindo, a bolsa está caindo”

Assim sendo, a frase ilustra o movimento recente.

Comparação com o início do ano

O cenário atual fica mais claro quando observado em perspectiva. No começo do ano, predominavam as entradas de investidores estrangeiros, e o Ibovespa avançava. Segundo Moraes, de janeiro até 14 de abril o fluxo estrangeiro é quase todo para cima. Dessa forma, foi nesse período que o índice atingiu 199.354 pontos, recorde que hoje serve apenas como ponto de comparação. No entanto, a partir do momento em que o fluxo perdeu força e passou a registrar mais retiradas, a trajetória mudou. Portanto, tanto o fluxo quanto o comportamento do mercado se alteraram, e o Ibovespa entrou em correção.

Efeito na liquidez e no curto prazo

O peso do investidor estrangeiro no Ibovespa passa pela forma como esses grandes fundos entram e saem do mercado brasileiro. Como precisam movimentar volumes elevados, eles tendem a buscar ações com muita liquidez. Em outras palavras, é mais fácil montar e desmontar grandes posições nos papéis de maior giro.

Esse comportamento ajuda a explicar por que as blue chips são as mais afetadas em momentos de saída. Ademais, a correlação entre o fluxo estrangeiro e o desempenho do índice é direta e deve continuar a orientar a leitura dos investidores nos próximos pregões. Em resumo, a relação observada no mês reforça a leitura de que a bolsa brasileira segue refém do capital externo.

Perguntas Frequentes

Qual foi o impacto da saída de capital estrangeiro no Ibovespa em agosto?

Em agosto, até o dia 18, R$ 20,4 bilhões deixaram a B3, sendo R$ 18,7 bilhões de capital estrangeiro. Consequentemente, isso pressionou o Ibovespa, que caiu de 180.679 pontos (4 de agosto) para 164.835 pontos (dia 14), uma queda de aproximadamente 8,8%.

Quais os principais motivos da retirada de R$ 20 bilhões da Bolsa brasileira por estrangeiros?

Os analistas apontam uma combinação de piora na percepção sobre o risco fiscal, aproximação das eleições, dúvidas sobre inflação e juros, incertezas externas e a concorrência cada vez maior dos ativos americanos pelo capital global.

Por que a saída de estrangeiros afeta mais as blue chips como Vale e Petrobras?

Investidores estrangeiros movimentam volumes elevados e precisam de alta liquidez, por isso concentram suas posições em grandes empresas como Vale, Petrobras, Itaú e Bradesco. Dessa forma, durante a retirada de recursos, essas ações passaram por forte volatilidade, refletindo diretamente no Ibovespa.

Fonte

Leave a reply