ONS anuncia plano para evitar blecautes na rede de energia solar

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Energia solar rede: ONS anuncia plano para evitar blecautes

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou um plano para mitigar o risco de blecautes diante do aumento da geração solar no Brasil. Ademais, a medida, que deve ser implementada até o final do ano, prevê o corte temporário de miniusinas de geração solar remota ligadas à rede. Dessa forma, a ação ocorre em um momento em que o país acumula uma potência instalada recorde e, ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades para equilibrar oferta e demanda.

Por que o excesso de energia solar pode causar blecautes?

Nos últimos anos, a popularização das placas solares criou um crescente excesso de geração de energia durante o dia. Ou seja, o problema se manifesta, principalmente, nos momentos em que o consumo está baixo, como no Dia dos Pais e em feriados.

A queda na demanda em datas como essas colocou o sistema sob risco elevado de blecautes. Consequentemente, nesses períodos, a queda na demanda somada ao pico de geração solar aumenta o risco de colapso na rede elétrica.

Portanto, o ONS monitora a situação e reconhece que o sistema está no limite. “A capacidade do sistema de suportar os vales de carga está chegando no limite. Estamos usando todas as medidas que podemos, com uma sequência de linhas de defesa”, diz o órgão.

O que é o ERAG e como vai funcionar?

Para contornar o excesso de energia, o ONS desenvolveu o Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG). Assim sendo, o mecanismo deverá atingir, a princípio, 3 gigawatts em capacidade de miniusinas de geração solar remota conectadas à rede.

Essas unidades poderão ser cortadas “em escadinha”, ou seja, em etapas, conforme a necessidade de reequilíbrio do sistema.

A lógica é a mesma do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), que desliga automaticamente a luz de áreas pré-selecionadas quando falta energia. No caso do ERAG, por outro lado, o corte incide sobre a geração, não sobre o consumo.

A diferença é que, no lugar de tirar energia do sistema, retira-se o excesso de produção. Assim sendo, o mecanismo contribui para manter a estabilidade da rede sem interromper o fornecimento aos consumidores.

Principais características do ERAG

  • Corte de até 3 GW em miniusinas solares remotas
  • Corte em etapas (em escadinha)
  • Mesma lógica do ERAC, mas sobre a geração
  • Execução pelas distribuidoras

Por que o equilíbrio entre geração e consumo é essencial?

Ambas as manobras, tanto o ERAC quanto o ERAG, são necessárias, visto que a operação da rede elétrica exige que geração e consumo estejam sempre no mesmo nível. Quando isso não acontece, consequentemente, a frequência do sistema cai, o que pode levar a apagões. Portanto, o controle preciso da oferta de energia é fundamental. No cenário atual, ademais, o ONS não tem capacidade para controlar a geração solar dispersa, que se soma aos outros fatores de estresse da rede.

Qual é o cenário da geração solar no Brasil?

O Brasil ultrapassou a marca de 51 gigawatts (GW) em potência instalada em placas solares em telhados e miniusinas. Ademais, o ONS estima que há outros 14 GW – o equivalente a uma usina de Itaipu – em geração solar não cadastrada nos sistemas das distribuidoras. Ou seja, essa energia é considerada “invisível” para o operador, o que torna ainda mais difícil o equilíbrio entre oferta e demanda.

Todas essas instalações atingem seu pico de produção geralmente no início da tarde, ao mesmo tempo, sobrecarregando a rede. Dessa forma, esse comportamento combinado exige medidas emergenciais.

A situação é agravada, sobretudo, pelo fato de que o ONS não consegue enxergar grande parte dessa geração, como ocorre no caso das unidades não cadastradas.

Quando o ERAG será implementado?

O plano do ONS será apresentado às distribuidoras em um workshop no próximo mês. Ademais, o encontro servirá para avaliar a viabilidade da proposta e alinhar as ações.

A expectativa, portanto, é implementar ao menos uma versão piloto até o final do ano.

Se a proposta for adotada, as próprias distribuidoras serão responsáveis por implementar os cortes do ERAG. A seleção das miniusinas deve priorizar, principalmente, as maiores e as localizadas em regiões com alta concentração desses sistemas.

A medida, segundo o ONS, não depende de aprovação do governo ou da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que permite uma implementação mais rápida. Dessa forma, a coordenação entre o ONS e as distribuidoras será essencial para o sucesso do ERAG.

Perguntas Frequentes

O que é o ERAG e como vai funcionar o plano do ONS para cortar a geração solar?

O ERAG (Esquema Regional de Alívio de Geração) é um mecanismo do ONS para cortar, em escadinha, cerca de 3 gigawatts de miniusinas solares remotas ligadas à rede, quando houver excesso de geração. Além disso, as distribuidoras serão responsáveis por implementar os cortes, provavelmente nas maiores miniusinas e nas regiões com maior concentração. Ademais, a medida não precisa de aprovação do Governo ou da Aneel e deve ter uma versão piloto até o final do ano.

Por que o ONS está preocupado com o excesso de energia solar na rede elétrica?

A popularização das placas solares criou um excesso de geração durante o dia, quando o consumo é baixo, elevando o risco de colapso na rede e blecautes. O Brasil, por exemplo, já ultrapassou 51 GW em geração solar instalada, mais 14 GW “invisíveis”, e toda essa produção atinge o pico ao mesmo tempo, no início da tarde, sobrecarregando o sistema. O ONS, portanto, afirma que a capacidade de suportar os vales de carga está no limite.

Quando o ONS vai implementar o plano para evitar apagões por causa do excesso de energia solar?

O plano deve ser implementado até o final do ano, após a queda de demanda em datas como o Dia dos Pais ter elevado o risco de blecautes. Além disso, o ONS vai apresentar o mecanismo às distribuidoras em um workshop no próximo mês e a ideia é implementar ao menos uma versão piloto até o final do ano.

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