Endividamento familiar ameaça consumo e PIB em 2027

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O endividamento das famílias brasileiras atingiu um nível recorde e pode comprometer o consumo e o Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Assim sendo, é o que apontam economistas e análises recentes do BTG Pactual e do FGV Ibre.

Os estudos citam um trabalho do Banco Central que investigou o ciclo de crédito que precedeu a recessão de 2014 a 2016. Ademais, a situação atual é considerada mais delicada do que a daquele período, acendendo um alerta para o comércio do interior paulista e para setores que dependem do consumo das famílias, como o varejo.

Risco de desaceleração do consumo

Para economistas, o excesso de dívidas desacelerará o consumo de forma significativa quando emprego e renda piorarem. Dessa forma, o nível recorde do endividamento pode levar a uma perda de ritmo significativa do consumo em 2027. O efeito rebote, segundo eles, embute o risco de uma desaceleração mais forte que o esperado da atividade econômica. Assim sendo, esse cenário reforça a preocupação com o ritmo da economia nos próximos anos.

Panorama do endividamento em números

Os indicadores ajudam a dimensionar o risco:

  • Endividamento das famílias em relação à renda: 49,8% (Banco Central);
  • Valor médio da dívida inadimplida: R$ 6.300 (Serasa) — quase o dobro do rendimento real médio (IBGE);
  • Linhas de crédito de alto custo (cartão parcelado e rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação) representam quase 25% da carteira de pessoas físicas, contra 20% no pré-pandemia;
  • Em outubro do ano passado, 39,3% das contratações do cartão rotativo concentravam-se em quem ganha até dois salários mínimos (FGV Ibre).

Como o excesso de crédito afeta o consumo e o PIB

Análises do BTG Pactual e do FGV Ibre citam um estudo de 2020 do Banco Central intitulado “Endividamento das Famílias e Recessão Econômica no Brasil”. Ou seja, o trabalho mostrou que, quando as famílias se endividam em excesso, há uma queda acentuada do consumo no futuro. Além disso, quanto maiores eram os juros das linhas de crédito, maior era o impacto negativo posterior sobre o consumo. Portanto, o estudo oferece um referencial importante para interpretar os riscos atuais.

Crédito caro concentra o risco

Segundo economistas, muitos brasileiros estão endividados em linhas de crédito caras, o que tende a intensificar a “ressaca” após períodos de expansão acelerada do crédito. Isto é, dados do Banco Central mostram que modalidades com as taxas mais altas — como cartão parcelado e rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação — representam quase 25% da carteira das pessoas físicas, contra 20% no pré-pandemia. Esse perfil indica uma exposição maior da população de menor renda ao crédito de custo elevado. Por exemplo, em outubro do ano passado, 39,3% das contratações do cartão rotativo se concentravam naqueles que ganham até dois salários mínimos, segundo estudo do FGV Ibre.

Famílias mais endividadas que em 2014

Para a pesquisadora associada do FGV Ibre, Katherine Hennings, economista da BRCG e autora do estudo sobre o ciclo de crédito, a situação financeira das famílias hoje é pior que a que precedeu a crise de 2014 a 2016. Ela observou que houve uma mudança de comportamento: a baixa renda foi absorvendo cada vez mais modalidades de crédito sem garantia. Consequentemente, essa transformação amplia a vulnerabilidade do orçamento familiar a choques econômicos.

Projeções para 2027

O relatório do BTG Pactual estima que o avanço do consumo deve se reduzir de uma alta de 2% em 2026 para uma expansão de 0,8% em 2027. Caso o ritmo de expansão da renda se estagne, a projeção é de uma queda de 0,4%. Em suma, esses números sinalizam uma desaceleração relevante, com impacto direto sobre o varejo e os serviços.

Alerta para o interior paulista

Para Hennings, os atuais níveis de emprego, renda e consumo são insustentáveis. Ademais, ela compara a economia a um balão que vai enchendo, e que pode ser esvaziado devagar ou estourar. O cenário acende um alerta para o comércio do noroeste paulista, incluindo cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis. A fonte não detalhou dados regionais, mas a tendência de desaceleração do consumo é um sinal de atenção para o varejo local.

Perguntas Frequentes

Como o endividamento das famílias pode afetar o consumo e o PIB em 2027?

Segundo o relatório do BTG Pactual, o avanço do consumo deve cair de uma alta de 2% em 2026 para 0,8% em 2027; se a renda estagnar, a projeção é de queda de 0,4%. Consequentemente, o nível recorde de endividamento das famílias pode causar perda de ritmo significativa do consumo em 2027, ameaçando o PIB.

Qual é o nível atual do endividamento das famílias brasileiras e como ele se compara à crise de 2014-2016?

O endividamento em relação à renda está em 49,8%, segundo dados do Banco Central. Além disso, a dívida média inadimplida do Serasa é de R$ 6.300, quase o dobro do rendimento real médio divulgado pelo IBGE. Em resumo, economistas afirmam que a situação financeira atual das famílias é pior que a que precedeu a crise de 2014-2016.

Quais linhas de crédito mais contribuem para o endividamento e quem é mais afetado?

Modalidades com juros altos, como cartão parcelado e rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, representam quase 25% da carteira de pessoas físicas, ante 20% no pré-pandemia. Por exemplo, em outubro do ano passado, 39,3% das contratações do cartão rotativo concentravam-se em quem ganha até dois salários mínimos, segundo estudo do FGV Ibre.

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