Nem a esfiha resiste à Selic: Habib’s em recuperação judicial

Crédito: Brazil Journal
O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendal, entrou em recuperação judicial listando R$ 265,2 milhões em dívidas. Além disso, o pedido foi apresentado no domingo e deferido ontem pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Contudo, a medida ocorre dois meses após a empresa obter uma cautelar contra credores, instrumento que buscava dar mais tempo para uma reestruturação.
Cautelar não foi suficiente
A recuperação é um desdobramento da tutela cautelar que o grupo havia pedido no final de junho. Dessa forma, o objetivo era ganhar tempo para negociar uma reestruturação com os bancos, evitando uma quebra mais abrupta. Todavia, a cautelar deu a proteção que o Gennius buscava, mas não foi suficiente para chegar a uma solução para a dívida.
“É muito difícil uma empresa que entra com cautelar não entrar em RJ, então foi um caminho natural” — afirmou uma fonte ao Brazil Journal.
Além disso, a fonte também lembrou que a cautelar foi um instrumento paliativo, não uma solução definitiva.
Negociações individuais eram pouco produtivas
Até então, as negociações eram feitas individualmente com cada credor, num processo considerado “pouco produtivo” por pessoas próximas. Por exemplo, cada banco atuava de forma isolada, o que dificultava um acordo global. Assim sendo, com a recuperação, os principais credores passam a negociar em processo coletivo, sob supervisão judicial.
Ademais, uma fonte disse que as conversas com os bancos já estão avançadas, o que pode acelerar a definição do plano.
Bradesco lidera lista de credores
Segundo uma fonte próxima à companhia, o Bradesco é o principal credor, concentrando cerca de 40% dos créditos. Outros bancos incluem:
- Daycoval
- Original
- Inter
Sobretudo, a diversidade de credores reforça a complexidade das negociações, pois cada instituição tem suas próprias exigências. Contudo, a lista completa de credores não foi divulgada, mas a presença desses nomes já dá uma dimensão do passivo.
Plano será apresentado em 60 dias
O Gennius agora terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação. Ou seja, nesse documento, a empresa deverá detalhar como pretende reestruturar as dívidas e quais condições serão oferecidas aos credores. O plano precisa ser aprovado pelos credores em assembleia.
A expectativa é que, com as conversas avançadas, o processo seja mais rápido. Consequentemente, a recuperação reorganiza a negociação: em vez de acordos bilaterais, as tratativas passam a ocorrer em um foro coletivo e judicializado.
Problema é financeiro, não operacional
Pessoas próximas ao processo sustentam que o Habib’s enfrenta um problema financeiro, não operacional. Além disso, a companhia continua gerando caixa e não há previsão de um grande plano de fechamento de lojas. Portanto, isso significa que as unidades seguem funcionando e produzindo receita, o que é fundamental para a viabilidade da recuperação.
A tese é de que a crise está no endividamento, não na demanda pelos produtos. Por outro lado, a geração de caixa é um dos principais trunfos da companhia para convencer os credores de que o plano é viável.
Estrutura verticalizada aumenta complexidade
A dona do Habib’s sempre foi conhecida por sua estrutura verticalizada, que integra produção, distribuição e varejo. Essa característica, embora traga eficiência, também aumenta a complexidade da recuperação judicial. A verticalização envolve diferentes frentes, como fornecedores, funcionários e pontos de venda, e todas precisam ser consideradas no plano.
Por isso, a complexidade da estrutura, segundo fontes, está refletida no processo. Contudo, a estrutura verticalizada, que é um diferencial competitivo, também se torna um desafio em momentos de crise.
Com a decisão do juiz, o Grupo Gennius ganha um novo fôlego para tentar superar a crise. Em seguida, o próximo passo é a apresentação do plano de recuperação em até 60 dias, que será submetido aos credores. Em resumo, o desfecho dependerá da aprovação do plano e da capacidade da companhia de cumprir as metas. Ademais, para os credores, a expectativa é que as negociações avançadas resultem em um acordo que preserve a operação.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor da dívida do Habib’s na recuperação judicial?
O Grupo Gennius, dono do Habib’s, entrou em recuperação judicial listando R$ 265,2 milhões em dívidas. Além disso, o Bradesco é o principal credor, concentrando cerca de 40% dos créditos, seguido por Daycoval, Original e Inter.
Por que o Habib’s entrou em recuperação judicial?
A recuperação é um desdobramento de uma tutela cautelar pedida no final de junho para ganhar tempo, mas que não foi suficiente para solucionar a dívida. Segundo fontes, o problema é financeiro, não operacional, já que a companhia continua gerando caixa.
O que acontece agora com o Habib’s após a recuperação judicial?
O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar seu plano de reestruturação de dívidas. As conversas com os bancos já estão avançadas e não se prevê um grande plano de fechamento de lojas, pois a companhia continua gerando caixa.




























