Juros e endividamento pressionam varejistas no 2º trimestre

Crédito: Folha de S.Paulo
O varejo brasileiro enfrenta um cenário adverso no segundo trimestre. Além disso, juros elevados e endividamento das famílias pressionam as vendas mais do que o esperado.
Dados divulgados na semana passada mostram que a desaceleração do consumo castiga o setor. Por exemplo, o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado, e o alerta se estende ao comércio da região noroeste paulista.
Resultados abaixo das expectativas
Uma sequência de números divulgados por varejistas na semana passada indicou que a desaceleração do consumo e o aumento do endividamento das famílias castigam o setor mais do que o esperado.
Dessa forma, as vendas do segundo trimestre reforçam o impacto maior do que o esperado. Além disso, empresas enfrentam dificuldades para entregar lucro operacional.
Ademais, a pressão sobre as margens está ligada ao custo elevado do crédito e ao endividamento das famílias.
Segundo Marco Saravalle, o varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros, que permaneceram altos por muito tempo. Assim sendo, algumas companhias têm enfrentado dificuldades para entregar lucro operacional, o que contamina a percepção sobre o setor e aumenta a preocupação com uma desaceleração da economia.
Por outro lado, para Saravalle, as famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa.
Endividamento das famílias em patamar recorde
Além do custo elevado do crédito, o setor enfrenta o alto endividamento das famílias. Dessa forma, esse cenário limita o consumo e afeta principalmente bens de maior valor.
Dessa forma, pesquisa da CNC divulgada na quinta-feira (6) mostra que 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho, ante 81,6% em junho — o maior patamar da série histórica. Além disso, o avanço de 0,4 ponto percentual em um único mês evidencia a trajetória ascendente do comprometimento financeiro.
- 29,5% do orçamento das famílias comprometido com dívidas;
- 7,2 meses de tempo médio de comprometimento.
A CNC ressalta que o endividamento não é necessariamente negativo, porque o crédito impulsiona o consumo, mas alerta que o indicador é preocupante quando há dificuldade para honrar pagamentos. Contudo, o comprometimento de 29,5% da renda reduz a capacidade de consumo de itens de maior valor.
Selic menor, efeito distante
Os dados foram divulgados um dia após o Copom reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano.
No entanto, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que os efeitos da redução da Selic não são imediatos. Segundo ele, o alívio para consumidores e lojistas deve ocorrer de forma gradual, à medida que os novos juros se propagam pela economia.
Varejo perde fôlego no ano
Em 2026, o varejo brasileiro tem se expandido, mas vem perdendo fôlego ao longo do ano. Por exemplo, até maio, o volume de vendas do setor acumulava alta de 1,7%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE.
O crescimento acumulado até março era de 2,4%. Já o comércio de móveis acumula queda de 3,7% nas vendas no ano. Dessa forma, essa retração é um sinal claro do impacto do endividamento e dos juros altos sobre itens de maior valor.
A comparação entre os índices de março e maio mostra uma redução de 0,7 ponto percentual no ritmo de crescimento. Sobretudo, o comércio de móveis, com queda de 3,7% no ano, é um dos segmentos que mais sentem a retração.
Em resumo, os dados de vendas do setor reforçam o impacto do endividamento e dos juros altos sobre itens de maior valor.
Impacto no comércio local
Esse cenário econômico deve repercutir no comércio de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis. Portanto, essas localidades dependem da confiança do consumidor e da disponibilidade de crédito.
Lojistas da região precisam acompanhar de perto o comportamento das vendas e o nível de endividamento das famílias para ajustar estratégias. Além disso, o acompanhamento de indicadores locais, como inadimplência e fluxo de clientes, pode auxiliar na tomada de decisões.
Portanto, a combinação de juros ainda elevados, famílias comprometidas e concorrência intensa sinaliza que a recuperação deve ser gradual. A fonte não detalhou o impacto específico na região noroeste paulista, mas a tendência nacional reforça a necessidade de cautela no planejamento do segundo semestre.
Dessa forma, empresários devem considerar cenários conservadores e evitar expansões abruptas.
Perguntas Frequentes
Como os juros elevados e o endividamento das famílias afetaram as varejistas no segundo trimestre?
As vendas do 2º tri reforçam impacto maior do que o esperado. Por exemplo, o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado. Além disso, segundo Marco Saravalle, o varejo é o setor mais penalizado pelos juros altos, e as famílias continuam bastante endividadas.
Quais dados da CNC mostram o endividamento das famílias brasileiras?
Segundo pesquisa da CNC, 82% das famílias tinham algum tipo de dívida em julho, maior patamar da série histórica, ante 81,6% em junho. Além disso, em média, 29,5% do orçamento está comprometido com dívidas, com tempo médio de 7,2 meses.
Como o Copom reduziu a Selic e quais os efeitos esperados no varejo?
O Copom reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. Contudo, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que os efeitos da redução não são imediatos. Além disso, o setor enfrenta a desaceleração do consumo e o alto endividamento das famílias, que afeta principalmente bens de maior valor.




























