Damodaran questiona desempenho do Nubank como banco

Crédito: Valor Econômico
Sobretudo, o professor Aswath Damodaran, da Universidade de Nova York, é uma das principais referências internacionais quando o assunto é avaliação de empresas. Além disso, em entrevista ao Valor, ele revelou que acompanhou com grande interesse a estreia do Nubank na bolsa de Nova York em 2021. No entanto, a admiração pela trajetória da fintech não impede uma visão crítica sobre o futuro: “Quero ver o Nubank manter o mesmo desempenho como banco. Ele está ficando cada vez mais parecido com os bancos incumbentes e será difícil reinventar o negócio”, afirmou.
Arbitragem regulatória e custos menores
Na avaliação de Damodaran, a arbitragem regulatória foi central para o crescimento do Nubank. Ou seja: “As exigências de reporte de informações, compliance, capital são menos onerosas”, explicou. Dessa forma, essa vantagem permitiu que a empresa operasse com custos reduzidos em comparação aos bancos tradicionais.
Ademais, o professor ressalta que esse não é um fenômeno exclusivo do Brasil, mas uma característica das fintechs em diversos mercados. Consequentemente, a economia gerada pela regulação mais flexível se refletiu em preços e na capacidade de expansão. Portanto, com menos gastos com burocracia, a fintech pôde investir em tecnologia e atendimento.
Assim sendo, para Damodaran, esse cenário ajudou a explicar a rápida conquista de participação de mercado. Contudo, o mesmo fator que impulsionou o crescimento pode não estar disponível no futuro, quando a empresa se consolidar como banco.
Estratégia para públicos desbancarizados
Por outro lado, Damodaran também atribui a expansão do Nubank à exploração de produtos de baixo custo e menor margem, voltados para públicos até então desbancarizados e de maior risco, que os bancos incumbentes negligenciam. Isto é: “Quem não gosta de coisa grátis? Principalmente se for boa, como um cartão de crédito?”, ironizou o professor.
Assim sendo, essa abordagem permitiu à fintech ampliar sua base de clientes e ganhar relevância em um mercado competitivo. No entanto, o perfil desses clientes, considerados de maior risco, pode trazer desafios adicionais. Todavia, Damodaran não detalha os possíveis efeitos, mas a observação sinaliza uma preocupação com a sustentabilidade do modelo.
Isto é, a dependência de públicos com histórico de crédito limitado é um aspecto que merece atenção.
O desafio de se tornar um banco
Em resumo, o principal ponto de interrogação, na análise de Damodaran, está na transição do Nubank para o modelo de banco tradicional. Ou seja, ele repetiu: “Ele está ficando cada vez mais parecido com os bancos incumbentes e será difícil reinventar o negócio”. Isto é, a frase resume o ceticismo do professor quanto à manutenção do desempenho atual.
Portanto, à medida que a fintech adota práticas semelhantes às dos grandes bancos, a diferenciação tende a diminuir. Além disso, Damodaran deixa claro que não está questionando a trajetória até aqui, mas as condições para o futuro. Consequentemente, a arbitragem regulatória que favoreceu a empresa perde força quando ela se torna um banco sujeito às mesmas exigências dos concorrentes.
Contudo, a questão é saber se a eficiência operacional será suficiente para sustentar os resultados. No entanto, o professor não oferece uma resposta definitiva, mas considera o desafio real.
Lições para o setor empresarial
Ademais, a análise de Damodaran ultrapassa o universo das fintechs e alcança empresários de diferentes setores, incluindo o noroeste paulista. Sobretudo, a discussão sobre o futuro do Nubank é acompanhada com atenção por quem depende de serviços financeiros acessíveis e estáveis. Assim sendo, a ACIA, entidade que representa comerciantes e indústrias da região, observa essas movimentações como parte do cenário econômico.
Dessa forma, a trajetória do Nubank ilustra como a inovação pode mudar um mercado, mas também como vantagens pontuais podem desaparecer. Sobretudo, para os pequenos negócios, a lição é sobre a importância de não depender eternamente de condições excepcionais. Portanto, o crescimento sustentável exige adaptação contínua e gestão de riscos.
Assim sendo, o caso do Nubank mostra que mesmo empresas bem-sucedidas enfrentam incertezas quando o ambiente competitivo se transforma. Portanto, acompanhar o desdobramento desse processo é útil para investidores, empresários e profissionais que atuam na região.
Perguntas Frequentes
O que Aswath Damodaran disse sobre o futuro do Nubank como banco?
Damodaran disse que quer ver o Nubank manter o mesmo desempenho como banco, pois está ficando cada vez mais parecido com os bancos incumbentes e será difícil reinventar o negócio.
Como o Nubank se beneficiou da regulação mais branda, na visão de Damodaran?
Segundo Damodaran, o Nubank se beneficiou da arbitragem regulatória, com exigências menos onerosas de reporte de informações, compliance e capital, além da economia de custos advinda da abordagem regulatória mais branda para fintechs.
Qual estratégia do Nubank para conquistar clientes foi destacada por Damodaran?
Damodaran atribuiu a expansão do Nubank à exploração de produtos de baixo custo e menor margem para públicos desbancarizados e de maior risco, que os bancos incumbentes negligenciavam. Por exemplo, ele citou o cartão de crédito grátis como exemplo.




























