Argentina: 32 mil empresas fechadas sob Milei

Crédito: Folha de S.Paulo
Mais de 32 mil empresas fecharam na Argentina desde que Javier Milei assumiu a presidência, em dezembro de 2023, e cerca de um terço da população está abaixo da linha de pobreza. O cenário, marcado por queda no consumo e recessão técnica, tem gerado críticas crescentes à política econômica do governo, especialmente entre pequenos e médios empresários.
Fábrica familiar sente o peso da crise
Em uma fábrica familiar de Buenos Aires, uma máquina usada para embalar pacotes de meias coloridas permanece parada e silenciosa. A Eseka ainda produz quase 3 milhões de peças por mês na fábrica, entre roupas íntimas e trajes de banho de suas marcas Cocot e Dufour. Mas, como muitas empresas locais, enfrenta dificuldades para se manter em funcionamento.
Desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo, há quase três anos, as vendas caíram cerca de 40%, afetadas pela fraca demanda dos consumidores e pela concorrência de importados mais baratos, à medida que o governo suspendeu restrições comerciais. A situação reflete um ambiente de negócios desafiador para a indústria nacional argentina, que perde espaço para produtos estrangeiros.
O relato da Eseka ilustra a pressão sobre o setor produtivo local, que vê suas margens comprimidas e sua capacidade de investimento reduzida. A transição para um modelo de maior abertura comercial, sem políticas compensatórias, tem aprofundado a crise em segmentos tradicionais.
Consumo em queda e recessão à vista
Isso é importante na Argentina, onde o consumo das famílias representa cerca de dois terços do PIB (Produto Interno Bruto), o que faz de qualquer retração prolongada dos gastos um entrave para a economia como um todo. Nos primeiros nove meses do ano, o consumo na Argentina caiu 2,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a empresa de pesquisa de mercado Scentia, que acompanha as vendas em supermercados, pequenos varejistas e plataformas de comércio eletrônico.
Economistas afirmam que a economia provavelmente entrou em recessão no terceiro trimestre, pondo à prova a paciência dos eleitores um ano antes da eleição presidencial de outubro de 2027, na qual se espera amplamente que Milei concorra a um segundo mandato. A atividade econômica deve ter recuado pelo segundo trimestre consecutivo entre julho e setembro, enquadrando-se na definição usual de recessão. Os dados oficiais do trimestre serão divulgados em novembro.
Além disso, a Argentina provavelmente entrou em recessão no terceiro trimestre, segundo economistas, impulsionada pela austeridade e pela política monetária restritiva. Uma leve recuperação é prevista para 2027, mas o horizonte de curto prazo permanece incerto para empresários e trabalhadores.
Números do fechamento de empresas
Cerca de 32,3 mil empresas — aproximadamente 6% do total de companhias na Argentina — fecharam desde a chegada de Milei ao poder em dezembro de 2023, até julho deste ano, segundo o centro de estudos Fundar. O dado evidencia a dimensão do impacto sobre o tecido empresarial, com efeitos diretos no emprego e na renda das famílias.
“O consumo caiu de forma muito acentuada nos últimos três anos”, afirmou Kuchikian, em referência ao período de gestão atual. A declaração reforça a percepção de que a retração da demanda interna é um dos principais motores da crise, afetando desde pequenos comércios até indústrias de maior porte.
Para o empresariado do interior paulista, especialmente em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, o cenário argentino serve de alerta sobre os riscos de políticas de ajuste fiscal sem contrapartidas para o setor produtivo. A queda no consumo e o fechamento de empresas no país vizinho podem impactar indiretamente as exportações brasileiras, sobretudo de calçados, têxteis e alimentos.
Perspectivas para 2027 e lições locais
Com a eleição presidencial de outubro de 2027 no horizonte, a gestão Milei enfrenta o desafio de reverter a percepção negativa sem abandonar seu programa de austeridade. Economistas projetam uma leve recuperação apenas no próximo ano, o que pode não ser suficiente para restaurar a confiança de consumidores e investidores.
Para os empresários de Araçatuba e região noroeste paulista, a experiência argentina reforça a importância de diversificar mercados, monitorar a concorrência internacional e manter reservas financeiras para períodos de baixa demanda. A Associação Comercial e Industrial de Araçatuba (ACIA) acompanha o desenrolar da crise e orienta seus associados sobre os riscos de exposição ao mercado argentino.
Enquanto os dados oficiais do terceiro trimestre não são divulgados, a fonte não detalhou projeções específicas para o setor industrial argentino. No entanto, o fechamento de 6% das empresas do país em menos de três anos é um indicador contundente dos desafios enfrentados pela economia sob o atual governo.
Perguntas Frequentes
Quantas empresas fecharam na Argentina desde o início do governo de Javier Milei?
Cerca de 32,3 mil empresas fecharam desde dezembro de 2023 até julho de 2025, representando aproximadamente 6% do total de companhias no país, segundo o centro de estudos Fundar.
Qual foi a queda no consumo na Argentina nos primeiros nove meses do ano?
O consumo caiu 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Scentia, que monitora vendas em supermercados, pequenos varejistas e e-commerce.
A Argentina entrou em recessão durante o governo Milei?
Economistas afirmam que a economia provavelmente entrou em recessão no terceiro trimestre, com a atividade econômica recuando pelo segundo trimestre consecutivo, enquadrando-se na definição usual de recessão.




























