Supermercado vende remédio: Assaí Farma desafia farmácias

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O Assaí Atacadista deu um passo ousado ao inaugurar sua primeira farmácia dentro de uma loja, na unidade Anhanguera, em São Paulo. O movimento marca o início de uma ofensiva do varejo alimentar contra o setor farmacêutico, que até recentemente detinha exclusividade na venda de medicamentos. A rede prevê abrir 25 farmácias no estado de São Paulo ainda neste ano, com ambição de chegar a 250 unidades em dois ou três anos.

Farmácia dentro do atacarejo

A primeira loja do Assaí Farma ocupa 100 metros quadrados logo na entrada do atacarejo, com caixa próprio e 12 mil itens (SKUs) – número superior aos 10 mil do supermercado. O espaço oferece serviços como aplicação de injeção, furação de orelha, medição de pressão, testes de glicemia, Covid e gripe. Segundo Vagner Moraes, diretor de farmácias do Assaí, o consumidor poderá incluir a ida à farmácia durante as compras de alimentos, com a possibilidade de fazer a aquisição on-line no aplicativo e retirar na loja.

Disposição do consumidor

Uma pesquisa realizada no ano passado apontou que 78% dos consumidores estariam dispostos a comprar em farmácias instaladas dentro de pontos de venda. O Assaí recebe cerca de 40 milhões de consumidores por mês em seus 313 atacarejos, o que representa um enorme potencial de tráfego para o novo serviço. A aceitação do público pode ser um fator decisivo para o sucesso da empreitada.

Preços ainda não são menores

Apesar da promessa do varejo alimentar de vender mais barato que as farmácias tradicionais, Moraes é cauteloso. O Assaí Farma ainda está em fase inicial e não realizou compras em volume suficiente para garantir preços menores. A rede precisará ganhar escala para competir em preço com as grandes redes farmacêuticas.

Concorrência de peso

A RD Saúde, líder do setor com as redes Raia e Drogasil, soma mais de 3.500 lojas em quase 700 cidades. Só neste ano, a RD Saúde está inaugurando mais de 300 lojas. O varejo farmacêutico nacional conta com cerca de 100 mil farmácias, o que mostra a magnitude do mercado que o Assaí pretende disputar.

Mudança na legislação

Até recentemente, a legislação reservava às farmácias, drogarias, postos de saúde e hospitais a distribuição de medicamentos ao consumidor. A abertura legal permitiu que supermercados e atacarejos entrassem nesse segmento, ampliando a concorrência. O presidente-executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, não aposta em uma guinada nas vendas de medicamentos, mas reconhece que a legislação impôs limites à operação, o que para a entidade é favorável.

Outras redes também investem

A Plurix, dona de 180 lojas em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, com bandeiras como Amigão, Superpão e Avenida, vai fazer projetos-piloto em seis lojas do interior paulista. Para Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, montar uma farmácia em um supermercado só se justifica em lojas de alto tráfego e muito amplas, como atacarejos. A tendência é que outras redes avaliem a estratégia.

Impacto no comércio local

A expansão do Assaí Farma pode afetar o comércio de cidades do interior paulista, como Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis, onde o Assaí possui lojas. Farmácias independentes e redes regionais precisarão se adaptar à nova concorrência, que oferece conveniência e um mix ampliado de produtos. A guerra entre supermercados e farmácias promete redefinir o varejo de medicamentos no Brasil.

Perguntas Frequentes

Quantas farmácias o Assaí pretende abrir em São Paulo este ano e qual o tamanho da primeira loja?

O Assaí prevê inaugurar 25 unidades de farmácia no estado de São Paulo neste ano. A primeira loja tem 100 m² e caixa próprio, localizada na entrada do Assaí Anhanguera.

Quais serviços estão disponíveis nas farmácias do Assaí?

Serviços como aplicação de injeção, furação de orelha, medição de pressão, testes de glicemia, Covid e gripe estão disponíveis.

O Assaí Farma vende mais barato que as farmácias tradicionais?

O diretor de farmácias do Assaí, Vagner Moraes, é cauteloso quanto a vender mais barato, pois a operação ainda está em fase inicial e não realizou compras em volume suficiente para garantir preços menores.

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