Dario Durigan quer ouvir Malan e Fraga sobre agenda fiscal

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Dario Durigan busca ouvir Malan e Fraga sobre agenda fiscal

Em meio a críticas sobre a trajetória explosiva da dívida pública e das contas do país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenta se reunir com dois dos principais expoentes da política econômica na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: Pedro Malan e Arminio Fraga. No entanto, as conversas, esperadas para agosto, no Rio, ainda não foram agendadas, segundo interlocutores, porque há certa resistência por parte dos dois economistas.

Principais pontos

  • Durigan considera as taxas de juros de longo prazo inaceitáveis.
  • Além disso, taxa de juros implícita da dívida bruta chega a 13,2% — maior nível desde novembro de 2016.
  • Ministro busca ouvir Pedro Malan e Arminio Fraga, mas reuniões ainda não foram agendadas.
  • Sobretudo, governo tentará aprovar MP da “taxa das blusinhas” no próximo esforço concentrado.

Juros altos: “inaceitável” para Durigan

Nesta quarta-feira, Durigan disse que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito altas, algo inaceitável e que precisa ser solucionado. Por exemplo, em evento do setor de saúde, o ministro afirmou: “O Tesouro Nacional, que é a instituição que tem mais condição de pagar uma emissão de título no país, tem hoje uma taxa muito grande para pagar, em especial no longo prazo. Isso é inaceitável”. — Ademais, eu sempre digo que nunca podemos abaixar a guarda e achar que o trabalho está resolvido, porque não está — afirmou o ministro.

Segundo ele, há uma “grande milha final” para cumprir no futuro, citando um compromisso de trajetória sustentável das contas públicas e os juros. Consequentemente, a fala reforça a urgência de equacionar os gastos do governo. Além disso, as declarações ocorrem em um momento em que o custo do endividamento do governo ganha destaque.

Taxa implícita em 13,2%, maior desde 2016

A chamada taxa de juros implícita, medida calculada pelo Banco Central (BC) para capturar o custo total do endividamento do governo, chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016. Isto é, a medição leva em conta a composição da dívida pública, que inclui títulos atrelados à Selic, prefixados, ligados à inflação, cambiais, entre outros compromissos. Portanto, esse cenário acende um alerta para a sustentabilidade fiscal.

O nível de 13,2% é o mais elevado desde novembro de 2016, o que reforça a preocupação com a sustentabilidade fiscal. Dessa forma, para o ministro, o tema precisa ser solucionado, e a busca por interlocução com economistas de diferentes visões faz parte desse esforço. O debate sobre a trajetória das contas públicas segue, portanto, no centro das atenções.

Diálogo com economistas críticos

De acordo com interlocutores de Durigan, o objetivo do encontro com Malan e Fraga é ouvir o que esses economistas têm a dizer a respeito da condução da economia no terceiro mandato do presidente Lula, candidato à reeleição. A expectativa é que as conversas ocorram ainda em agosto, no Rio, mas as reuniões não foram agendadas porque há resistência por parte deles. Ademais, a gestão dos dois foi baseada no controle rígido da inflação, na disciplina fiscal e na consolidação do Plano Real.

Os encontros de Durigan com economistas críticos da gestão econômica atual começaram nesta semana, em São Paulo, quando o ministro conversou com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005, no primeiro mandato de Lula. Além disso, segundo interlocutores, Durigan procura manter diálogo com economistas que atuam em campos opostos. Ou seja, a justificativa é que ele também costuma ouvir economistas alinhados à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores (PT). Dessa forma, essa abertura para diferentes visões é vista como uma tentativa de ampliar o debate sobre a economia.

Agenda no Congresso

No mesmo evento, Durigan afirmou que o governo federal tentará aprovar no próximo esforço concentrado do Congresso Nacional a medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais. Isto é, o “esforço concentrado” é uma semana de votações em meio ao período em que os parlamentares estão de olho na campanha eleitoral. Em seguida, o próximo está previsto para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro e será presencial. Dessa forma, a aprovação é considerada prioritária pela equipe econômica.

Para empresários do noroeste paulista, o desdobramento dessas discussões econômicas e a votação no Congresso podem influenciar o ambiente de negócios, especialmente no que diz respeito ao crédito e ao custo de importações. Além disso, a busca por uma agenda fiscal sustentável é acompanhada de perto pelo setor produtivo, que depende de previsibilidade para investir. Portanto, acompanhar esses desdobramentos é essencial para o planejamento financeiro das empresas.

Perguntas Frequentes

Por que o ministro da Fazenda Dario Durigan quer se reunir com Pedro Malan e Arminio Fraga?

Em meio a críticas sobre a trajetória explosiva da dívida pública e das contas do país, o ministro busca ouvir o que esses economistas têm a dizer sobre a condução da economia no terceiro mandato do presidente Lula. Além disso, a gestão de Malan e Fraga foi baseada no controle rígido da inflação, disciplina fiscal e consolidação do Plano Real.

O que Dario Durigan disse sobre os juros pagos pelo Tesouro Nacional?

Durigan afirmou que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro para rolar a dívida pública são muito altas, algo inaceitável que precisa ser solucionado. Nesse contexto, isso ocorre enquanto a taxa de juros implícita da dívida bruta chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar desde novembro de 2016.

Quando as reuniões com Malan e Fraga devem ocorrer e por que ainda não foram agendadas?

A expectativa é que as conversas ocorram ainda em agosto, no Rio, mas as reuniões não foram agendadas porque há certa resistência por parte de Malan e Fraga, segundo interlocutores. Ademais, ambos são expoentes da política econômica da gestão Fernando Henrique Cardoso, com histórico de controle rígido da inflação e disciplina fiscal.

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