Eleição juros Brasil: Goldman vê aposta em juros

Crédito: InfoMoney
A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o Goldman Sachs vê espaço para movimentos relevantes nos ativos brasileiros, mas considera que a melhor assimetria está hoje na curva de juros. Em relatório sobre o posicionamento do Brasil, o banco avalia que os juros locais carregam prêmios elevados diante dos fundamentos macroeconômicos e podem apresentar forte fechamento a depender do resultado eleitoral.
A análise destaca que o comportamento seria assimétrico, já que um resultado entendido como fiscalmente negativo também poderia provocar venda de ativos e abertura das taxas, mas, nas contas da instituição, a magnitude desse movimento tende a ser menor do que o potencial de queda dos juros em um cenário benigno.
Melhor assimetria está na curva de juros
“Vemos os juros locais oferecendo a melhor assimetria entre os ativos brasileiros antes da eleição”, resume o relatório. Por isso, a preferência do banco é por posições aplicadas no miolo da curva de DI, isto é, apostas na queda das taxas intermediárias. Uma posição mais distante na curva também permite reduzir parte da exposição à volatilidade de curto prazo provocada pelos preços de energia.
Essa estratégia reflete a visão de que, em um cenário de maior credibilidade fiscal, os juros poderiam recuar de forma expressiva, beneficiando investidores posicionados para esse movimento.
Déficit fiscal próximo de 10% do PIB
Essa preferência ocorre uma vez que o déficit fiscal total brasileiro está próximo de 10% do PIB, aponta o Goldman, maior entre os mercados emergentes de juros locais acompanhados pela instituição. O déficit primário é consideravelmente menor, em torno de 0,6% do PIB. A diferença entre os dois indicadores reflete o peso dos juros sobre a dívida pública, que amplia o déficit total. Para o banco, esse quadro torna a trajetória da dívida sensível à política monetária e, consequentemente, ao resultado eleitoral.
Dívida indexada à Selic amplia sensibilidade
Mais da metade da dívida pública doméstica está diretamente indexada à Selic, enquanto o prazo médio da dívida é relativamente curto. Isso significa que mudanças na taxa básica chegam relativamente rápido ao custo financeiro do governo. Essa característica, hoje negativa porque os juros estão elevados, poderia funcionar na direção contrária caso um resultado eleitoral aumentasse a credibilidade fiscal.
Na avaliação da equipe de estratégia, maior disciplina fiscal permitiria juros menores; juros menores reduziriam a conta financeira do governo; e essa economia reforçaria novamente a trajetória fiscal, criando um círculo virtuoso entre política monetária e contas públicas.
Resultado favorável pode retirar prêmio
Um resultado eleitoral favorável ao mercado poderia funcionar como o catalisador para retirar parte desse prêmio. O relatório não detalha quais candidatos ou propostas seriam considerados favoráveis, mas indica que a percepção de compromisso com o equilíbrio fiscal seria o gatilho para a redução das taxas. Para o investidor local, isso se traduziria em ganhos nas posições aplicadas em juros, enquanto para o setor produtivo, juros menores significariam crédito mais barato e estímulo à atividade econômica.
Câmbio: real sustentado por juros e termos de troca
Já para o câmbio, o Goldman Sachs destaca que o real vem sendo sustentado pelos juros elevados e pela melhora nos termos de troca. Os juros reais brasileiros antes desta eleição são maiores do que antes de qualquer outro pleito presidencial desde 2010, segundo o relatório. Esse diferencial de juros atrai capital estrangeiro e ajuda a ancorar a moeda, mesmo diante de incertezas políticas.
No cenário fiscal positivo, o banco considera o dólar a R$ 4,80 compatível com a eliminação completa do prêmio fiscal residual que surgiu durante a desvalorização do real em 2024.
Impactos para empresas e comércio local
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, os desdobramentos eleitorais podem afetar diretamente o custo do crédito e a competitividade. Uma eventual queda dos juros reduziria o custo de capital de giro, financiamentos e investimentos, beneficiando pequenas e médias empresas. Além disso, um real mais forte poderia baratear insumos importados, embora possa pressionar exportadores do agronegócio. A análise do Goldman não faz projeções específicas para setores, mas o cenário descrito sugere que a estabilidade fiscal seria positiva para o ambiente de negócios.
Em resumo, o banco vê os juros como o ativo com melhor relação risco-retorno antes da eleição, com potencial de queda relevante em um cenário de credibilidade fiscal. O câmbio também poderia se apreciar, mas com menor assimetria. A recomendação de posições aplicadas no miolo da curva reflete essa visão, enquanto o mercado aguarda o desfecho das urnas para calibrar suas expectativas.
Perguntas Frequentes
Qual é a principal aposta do Goldman Sachs para os ativos brasileiros antes da eleição presidencial?
O Goldman Sachs considera que a melhor assimetria está na curva de juros, com preferência por posições aplicadas no miolo da curva de DI, apostando na queda das taxas intermediárias.
Por que o Goldman Sachs acredita que os juros locais podem cair significativamente com um resultado eleitoral favorável?
Porque os juros locais carregam prêmios elevados diante dos fundamentos macroeconômicos, e um resultado que aumente a credibilidade fiscal poderia desencadear um círculo virtuoso: maior disciplina fiscal permitiria juros menores, reduzindo a conta financeira do governo e reforçando a trajetória fiscal.
Qual é a projeção do Goldman Sachs para o dólar em um cenário fiscal positivo após a eleição?
No cenário fiscal positivo, o banco considera o dólar a R$ 4,80 compatível com a eliminação completa do prêmio fiscal residual que surgiu durante a desvalorização do real em 2024.



























