Eleição presidencial 2026: mercado foca no pós-urna

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Eleição presidencial 2026: mercado foca no pós-urna

Quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, herdará um desafio que pode definir os rumos da economia brasileira nos próximos anos: encontrar uma forma de equilibrar as contas públicas sem provocar novos choques na atividade. Essa é a principal conclusão da nova carta mensal da gestora Kinea, intitulada “Highlander, o guerreiro imortal”.

Mercado foca no plano fiscal

Na avaliação da gestora, o mercado está menos preocupado com o nome que sairá vitorioso das urnas, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e mais atento ao plano que será apresentado para enfrentar o desequilíbrio fiscal. Segundo a Kinea, a eleição não terminará efetivamente no dia da votação. O verdadeiro teste de confiança virá quando o próximo presidente apresentar medidas concretas para estabilizar a trajetória da dívida pública.

“Para o mercado, a eleição não se encerra em outubro: encerra-se quando o vencedor disser, com números, como pretende fechar essa conta”, afirma a gestora. Essa expectativa reflete a necessidade de clareza sobre o ajuste das contas públicas, que afeta diretamente a confiança de empresários e investidores.

Cenário fiscal exige ajuste de 2% do PIB

A preocupação da Kinea parte do cenário fiscal projetado para 2027. O Orçamento enviado ao Congresso prevê apenas um superávit primário simbólico, enquanto a dívida bruta segue nos maiores níveis observados fora do período da pandemia. Nas contas da gestora, seria necessário um resultado primário próximo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para estabilizar a dívida e abrir espaço para uma queda mais consistente dos juros reais.

Esse número é relevante para o setor produtivo, pois juros reais elevados encarecem o crédito e limitam investimentos de pequenas e médias empresas. A estabilização da dívida, portanto, é condição para um ambiente de negócios mais favorável no interior paulista e em todo o país.

Executivo sem controle total da despesa

O obstáculo, porém, não é apenas o tamanho do ajuste. A Kinea destaca que boa parte do gasto discricionário já está nas mãos do Congresso, o que reduz a capacidade de manobra do Executivo. “O Executivo herda a responsabilidade pelo resultado sem herdar o controle sobre a despesa”, diz o relatório.

Como as medidas adotadas em 2027 precisam ser aprovadas ainda no primeiro semestre do ano para produzirem efeitos fiscais relevantes, a gestora avalia que as negociações entre o futuro presidente e o Legislativo precisarão começar antes mesmo da posse. Isso implica que o diálogo político será decisivo para a viabilidade de qualquer pacote de ajuste.

Cenário base prevê pacote de 1,5% do PIB

No cenário base da Kinea, o próximo governo anuncia logo no início do mandato um pacote fiscal equivalente a cerca de 1,5% do PIB. Sob essa hipótese, a economia desaceleraria, mas sem entrar em uma deterioração mais grave. A projeção da gestora para 2027 é de crescimento de 1% do PIB, inflação de 4,7% e taxa Selic encerrando o ano em 12,5%.

Para o comércio e a indústria da região noroeste paulista, esse cenário representa um ambiente de juros ainda elevados, porém em trajetória de queda gradual. A inflação projetada, embora acima do centro da meta, não indica descontrole, o que preserva o poder de compra das famílias e a previsibilidade para os negócios.

Risco de piora sem anúncio robusto

Por outro lado, a ausência de um anúncio robusto ou a adoção de medidas consideradas populistas poderia gerar uma piora das expectativas, elevando a percepção de risco e dificultando a continuidade dos cortes de juros. Nesse cenário alternativo, o custo do crédito permaneceria alto por mais tempo, afetando investimentos e o consumo.

A fonte não detalhou quais medidas seriam classificadas como populistas, mas o alerta serve de parâmetro para empresários que dependem de financiamento para capital de giro e expansão. A definição do rumo fiscal, portanto, terá impacto direto sobre a atividade econômica local nos próximos anos.

Perguntas Frequentes

O que a Kinea diz sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro na eleição presidencial?

A Kinea afirma que o mercado está menos preocupado com quem vencerá a eleição e mais atento ao plano fiscal que será apresentado para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas.

Qual é o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida pública, segundo a Kinea?

A Kinea calcula que seria necessário um superávit primário próximo de 2% do PIB para estabilizar a dívida e permitir queda consistente dos juros reais.

Quais são as projeções econômicas da Kinea para 2027 no cenário base?

No cenário base, com um pacote fiscal de 1,5% do PIB anunciado no início do mandato, a Kinea projeta crescimento de 1% do PIB, inflação de 4,7% e Selic em 12,5% no fim de 2027.

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