Endividamento do Brasil bate recorde em 6 gráficos

Crédito: Estadão
O crescimento acelerado das dívidas não é uma realidade que aflige apenas o governo federal. Nas últimas semanas, diversos indicadores vêm mostrando recordes no endividamento e na inadimplência das famílias e das empresas dos mais variados setores. Especialistas citam juros, incerteza fiscal e um ‘círculo vicioso’ que conecta a saúde financeira de pessoas físicas e jurídicas.
Recordes de dívida no setor privado
No setor privado, uma onda de pedidos de recuperação judicial atingiu grandes grupos, como Braskem, Casas Bahia, Habib’s, Marabraz e Alliança Saúde, entre outras companhias que já haviam aderido ao mesmo instrumento para se proteger da cobrança de credores. O aumento das dívidas e das contas em atraso também aparece em indicadores da Serasa Experian, da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Elos Ayta, que contabiliza dados sobre as empresas de capital aberto listadas em Bolsa.
Segundo levantamento da Serasa Experian, 9,1 milhões de empresas no País em junho estavam inadimplentes, com dívidas em atraso que chegaram a R$ 232,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ e tíquete médio de R$ 3.515,77. Esses números refletem um cenário de pressão financeira que se estende por diversos portes e segmentos empresariais.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o pano de fundo para a piora desse quadro que aflige empresas e famílias é o ambiente macroeconômico. A especialista destaca que a combinação de juros elevados e inflação persistente reduz a capacidade de pagamento e de investimento, criando um ciclo difícil de ser rompido.
Famílias também batem recordes
O endividamento das famílias acompanha a tendência de alta. A CNC e a Serasa Experian apontam que o comprometimento da renda com dívidas e o número de inadimplentes atingiram marcas históricas nos últimos meses. A perda de renda disponível, somada ao crédito caro, tem levado muitos consumidores a atrasar contas básicas e reduzir o consumo.
O Ministério da Fazenda afirmou que o quadro é resultado de razões estruturais, como o aumento da facilidade de acesso ao crédito de custo elevado, com a proliferação das fintechs, somado à perda da renda com as apostas online, no caso das famílias. Em relação às empresas, diz que o cenário se arrasta desde a pandemia, com aumento da alavancagem para fazer frente à perda do fluxo de caixa.
“Existe uma conexão entre pessoa física e pessoa jurídica. Quando as famílias perdem capacidade de consumo, a receita das empresas desacelera. E quando as empresas enfrentam problemas financeiros, isso afeta emprego, renda e o próprio consumo”, explica Camila. Essa interdependência amplifica os efeitos negativos em toda a economia, especialmente no comércio varejista e nos serviços.
Impacto no comércio do interior paulista
Para empresários e comerciantes de Araçatuba e região noroeste paulista, o cenário nacional se reflete diretamente no movimento das lojas e na inadimplência local. A redução do poder de compra das famílias e o aperto no crédito para pequenas e médias empresas tendem a pressionar as vendas e a gestão de caixa. Entidades como ACSP, CDL e Sebrae acompanham de perto os indicadores e orientam seus associados a reforçar a análise de crédito e a negociação de dívidas.
O Ministério da Fazenda diz que o governo federal vem implementando iniciativas para mitigar o endividamento das famílias cujos efeitos são de caráter imediato e de mais longo prazo, com o programa de negociação de dívidas e a ampliação da isenção do IR. “Para fazer frente ao problema do endividamento das famílias, o governo federal vem implementando iniciativas cujos efeitos são de caráter imediato e de mais longo prazo, com o programa de negociação de dívidas e a isenção do Imposto de Renda”, diz a pasta.
Especialistas recomendam que empresas do interior paulista adotem estratégias de fidelização, revisão de custos e renegociação com fornecedores para atravessar o período de juros altos. A diversificação de produtos e a oferta de condições de pagamento flexíveis podem ajudar a manter o fluxo de clientes, mesmo diante do endividamento recorde.
O cenário exige cautela, mas também abre oportunidades para negócios que consigam se adaptar rapidamente. A recuperação econômica dependerá da combinação de políticas públicas eficazes e da resiliência do setor produtivo, especialmente nas cidades médias do interior, onde o comércio é um dos principais motores de emprego e renda.
Perguntas Frequentes
Quantas empresas estavam inadimplentes no Brasil em junho e qual o valor total das dívidas em atraso?
Segundo a Serasa Experian, 9,1 milhões de empresas estavam inadimplentes em junho, com dívidas em atraso totalizando R$ 232,9 bilhões.
Qual é o valor médio da dívida por CNPJ inadimplente no Brasil?
Cada empresa inadimplente acumulou em média 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ.
Quais grandes empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação judicial recentemente?
Grandes grupos como Braskem, Casas Bahia, Habib’s, Marabraz e Alliança Saúde estão entre as companhias que aderiram à recuperação judicial.




























