Alexandre Muller revela planos para Leto Apollo brasileira

Crédito: Brazil Journal
Após liderar o management buyout da JGP Crédito no ano passado, Alexandre Muller, de 43 anos, assumiu o comando da agora independente Leto Capital com um plano ousado: transformar a gestora na ‘Apollo brasileira’. Com R$ 23 bilhões em ativos sob gestão, Muller quer reproduzir no Brasil o modelo de negócios da gigante americana Apollo Global Management, que administra mais de US$ 1 trilhão e se destaca pela constante reinvenção no mercado de crédito.
Inspiração na Apollo Global Management
Fundada por Leon Black em 1990, a Apollo é a maior referência estratégica de Muller. Em entrevista ao Brazil Journal, ele destacou que a principal inspiração é a capacidade da empresa de se adaptar continuamente a novas realidades. Esse princípio agora guia a Leto, que não busca apenas aumentar o volume de ativos, mas também diversificar suas fontes de retorno.
Expansão para produtos estruturados
Os planos incluem a entrada em novas classes de ativos e a ampliação da base de investidores. Na prática, a gestora mira consolidar sua presença no crédito estruturado, área que Muller considera a maior oportunidade de crescimento. Atualmente, a Leto possui R$ 15 bilhões em fundos de crédito líquido e o restante do patrimônio de R$ 23 bilhões está alocado em crédito estruturado. A próxima etapa será acelerar justamente os produtos estruturados, valendo-se da experiência acumulada pela equipe e da demanda de mercado.
Verticais estratégicas e fundos emblemáticos
A Leto organiza suas atividades em nove frentes:
- Infra crédito
- Infra private equity
- Offshore
- Agro
- Securitização
- High grade
- High yield
- Special sits
- ETFs
Ao todo, são mais de 50 fundos distintos, um reflexo da estrutura diversificada da casa. Entre eles, destaca-se o fundo flagship, com mais de 12 anos de histórico e R$ 1 bilhão em ativos, focado em crédito líquido. Recentemente, a gestora lançou seu primeiro ETF passivo, que já reúne R$ 250 milhões e é voltado a investidores institucionais. O produto investe em ativos aceitos para margem na B3. Muller explica que o ETF permite aos fundos trocarem margens em LFT por cotas do fundo, com rendimento estimado em CDI + 0,9%. No Brasil, existem apenas três ETFs de crédito, que somam cerca de R$ 1 bilhão, menos de 1% do estoque total de ETFs do país, o que indica um amplo espaço para crescimento nesse segmento.
Segurança dos FIDCs e casos de sucesso
Outro pilar da estratégia são os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). A Leto tem R$ 2 bilhões alocados nesses veículos, aproximadamente 10% do patrimônio sob gestão. Para ilustrar a segurança do instrumento, Muller mencionou os casos da Light e da Belagrícola, cujos FIDCs foram respeitados durante os respectivos processos de recuperação judicial. Esses exemplos, segundo ele, reforçam a resiliência dos FIDCs e sua atratividade para investidores que buscam proteção patrimonial.
Trajetória de Muller no mercado de crédito
A ambição de criar a ‘Apollo brasileira’ se apoia na sólida carreira do executivo. Com 23 anos de experiência cobrindo o mercado de crédito, Alexandre Muller passou por instituições como UBS e BTG, onde atuou como analista. Posteriormente, ingressou na JGP para estruturar a área de crédito, processo que culminou no MBO liderado por ele no último exercício. Agora, aos 43 anos, Muller comanda a Leto com a visão de quem acumulou conhecimento em diferentes ciclos do mercado.
A combinação de uma equipe experiente, um portfólio diversificado e um modelo de negócio em evolução posiciona a Leto para disputar protagonismo no crédito brasileiro. Embora ainda distante dos números da Apollo, a gestora busca replicar a capacidade de adaptação e inovação da gigante americana, mirando um mercado de crédito estruturado cada vez mais sofisticado e atraente para investidores institucionais e qualificados.
Perguntas Frequentes
Por que Alexandre Muller quer fazer da Leto a ‘Apollo brasileira’?
Muller se inspira na capacidade da Apollo Global Management de adaptar constantemente seu modelo de negócios. Fundada em 1990, a Apollo administra mais de US$ 1 trilhão em ativos e é o principal benchmark de Muller, que planeja replicar essa flexibilidade na Leto.
Quais são os planos de expansão da Leto sob o comando de Muller?
Os planos incluem a entrada em novas classes de ativos e a ampliação da base de investidores, com foco em produtos estruturados, área que Muller aponta como a maior oportunidade de crescimento. A Leto já tem R$ 23 bilhões em ativos e nove verticais estratégicas.
Como a Leto está inovando no mercado de ETFs de crédito no Brasil?
A Leto lançou um ETF passivo com R$ 250 milhões, focado em institucionais, que investe em ativos para margem na B3. Ele permite trocar LFT por cotas com rendimento de CDI + 0,9%. No Brasil, há apenas três ETFs de crédito, que juntos somam cerca de R$ 1 bilhão, menos de 1% do mercado de ETFs.




























