Mercado ilegal no Brasil causa perda de R$ 500 bi em 2025

0
10

O mercado ilegal — que engloba produtos piratas, contrabandeados e falsificados — provocou perdas de quase R$ 500 bilhões à economia brasileira em 2025, conforme estimativa do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). O montante representa 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, um patamar superior à média de 2% registrada na América Latina, de acordo com a Aliança Latino-Americana Anticontrabando (Alac). A entidade, formada por empresas, câmaras e governos de 15 países, reforça a gravidade do cenário para o setor produtivo nacional.

Para empresários e comerciantes de Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis, os números acendem um alerta: a concorrência desleal do ilegal corrói margens, reduz o faturamento e compromete a geração de empregos formais na região. A sonegação fiscal associada a essas práticas também pressiona os cofres públicos, afetando investimentos em infraestrutura e serviços essenciais que beneficiam o ambiente de negócios local.

Perdas setoriais somam R$ 473 bilhões

O levantamento do FNCP baseia-se em dados fornecidos por 15 setores da economia, que juntos calculam perdas de R$ 473,2 bilhões. Desse total, R$ 326,3 bilhões correspondem a prejuízos diretos nas cadeias de produção, enquanto R$ 146,9 bilhões são atribuídos ao impacto da sonegação fiscal nas contas públicas. A metodologia considera apenas os setores que divulgam números oficiais, o que indica que o prejuízo real pode ser ainda maior.

Edson Vismona, advogado e presidente do FNCP e do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), afirma que o valor total provavelmente supera os R$ 500 bilhões. “Nós acompanhamos 50 setores da economia que são impactados pelo comércio ilegal, mas apenas 15 deles divulgam seus números”, explica. Entre os segmentos que não revelam dados estão peças para automóveis, motos e aviões, ferramentas, alimentos, próteses, medicamentos e cilindros de oxigênio.

Essa lacuna de informações dificulta a mensuração completa do problema e impede a formulação de políticas públicas mais eficazes. Para o varejo do interior paulista, a ausência de dados sobre setores como autopeças e alimentos é particularmente preocupante, pois são áreas com forte presença na economia regional.

Consumidores impulsionam mercado pirata

Diferentemente do estudo do FNCP, que utiliza dados da indústria, a consultoria Ápice realizou uma pesquisa com 2.000 consumidores, amostra estatisticamente representativa da população brasileira. O levantamento revela um crescimento do consumo de produtos piratas em diferentes perfis de compradores, o que demonstra uma “naturalização” do comportamento. Esse fenômeno indica que a ilegalidade deixou de ser uma prática marginal e passou a ser aceita por parcelas significativas da sociedade.

No segmento esportivo, o principal produto pirateado é a camisa de times de futebol, com os falsificados representando quase 30% do total comercializado. A pesquisa também apontou aumento expressivo em outros artigos esportivos, como peças de vestuário, tênis, óculos e bonés. Para lojistas de artigos esportivos em cidades como Araçatuba e Birigui, essa realidade representa uma concorrência desleal que reduz o movimento nas lojas físicas e nos canais oficiais online.

Canais digitais ampliam alcance do ilegal

O avanço das compras de produtos falsificados na internet está diretamente ligado ao aumento da audiência dos canais digitais em detrimento das mídias tradicionais. Além dos marketplaces, a pesquisa destaca a força do varejo online realizado diretamente nas redes sociais, onde a fiscalização é mais difícil e a identificação dos vendedores ilegais se torna complexa. Essa migração para o ambiente digital facilita o acesso a produtos piratas e dificulta a atuação das autoridades.

Para o comércio local do noroeste paulista, que vem investindo em presença digital para competir com grandes players, a proliferação de anúncios ilegais em plataformas sociais representa um obstáculo adicional. Pequenos e médios empresários relatam dificuldade em competir com preços artificialmente baixos praticados por vendedores informais que não recolhem impostos nem cumprem obrigações trabalhistas.

Impacto regional e caminhos possíveis

Embora o estudo do FNCP tenha abrangência nacional, seus efeitos são sentidos de forma aguda no interior de São Paulo. A região de Araçatuba, com forte vocação para o comércio varejista, a indústria calçadista de Birigui e o agronegócio em Penápolis e Andradina, sofre com a evasão de receitas e a redução da atividade econômica formal. A perda de arrecadação municipal e estadual compromete investimentos em infraestrutura, segurança e qualificação profissional, criando um ciclo negativo para os negócios locais.

Entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA), a CDL e o Sebrae podem desempenhar papel fundamental na conscientização de consumidores e no apoio a ações de fiscalização. A integração entre poder público, setor produtivo e sociedade civil é apontada como caminho para reduzir a aceitação do produto ilegal e fortalecer a economia formal. A fonte não detalhou medidas específicas em andamento, mas o debate sobre o tema deve ganhar espaço nas agendas empresariais da região.

Perguntas Frequentes

Quanto o mercado ilegal fez o Brasil perder em 2025?

O FNCP estima perdas de quase R$ 500 bilhões em 2025, sendo R$ 473,2 bilhões calculados por 15 setores, com R$ 326,3 bilhões de perdas nas cadeias de produção e R$ 146,9 bilhões de sonegação fiscal.

Qual é o percentual do PIB que o mercado ilegal representa no Brasil?

O mercado ilegal representa 3,75% do PIB brasileiro, valor acima da média de 2% da América Latina, segundo a Alac.

Qual é o principal produto esportivo pirateado no Brasil?

O principal produto esportivo pirateado é a camisa dos times de futebol, com produtos falsificados representando quase 30% do total.

Fonte

Leave a reply